A CONSTRUÇÃO VISUAL DA AMÉRICA EM GRAVURAS: CÓDIGOS DE PERCEPÇÃO E SUAS TRANSFORMAÇÕES Flavia Galli Tatsch IFCH / UNICAMP Bolsista FAPESP gtflavia@gmail.com Esta comunicação é sobre a construção visual da América 1 em gravuras no início da Era Moderna, mais precisamente sobre as primeiras imagens que foram impressas para acompanhar as cartas de Cristóvão Colombo e Américo Vespúcio. Meu objetivo é o de explorar as possibilidades de usar imagens visuais como um meio de suscitar questões inovadoras. Escolhi analisar gravuras porque elas eram um importante e significativo meio de comunicação nas sociedades europeias. A amplitude dos usos das gravuras leva a pensar que seu significado cultural não era uma característica inerente, mas dependia da maneira como era incorporada por um público diversificado – em status social e econômico, assim como no espaço geográfico. As gravuras ofereciam aos numerosos leitores a possibilidade de combinar temas de uma forma desconcertante. Cabe esclarecer que, por leitores, entendo todos aqueles estavam aptos ou não a ler 2 , assim como os próprios artistas que as elaboravam. 3 Para lidar com fontes visuais, o Historiador Cultural deve constituir séries 4 , a partir das quais estabelecerá sua análise. Se for verdade que as imagens pensam, elas devem pensar entre si. 5 Por isso, a constituição de séries é um ponto passivo para a investigação. O confronto das imagens de uma mesma série é indispensável para a análise de cada uma delas; o sentido é dado a partir das diferenças, antes da dialética entre as regularidades e os desvios. Entendo como série um corpus construído pelo historiador(a) a partir de critérios por ele ou ela estabelecidos, que podem ser cronológicos, temáticos, formais, estruturais, iconográficos, etc. Para compreender o significado simbólico das gravuras, é decisivo vê-las através da distinção entre "arte de elite" e "arte popular", conceitos que têm sido impostos pela noção de estética. Não quero dizer que experiências estéticas eram desconhecidas ou que certos artefatos culturais não eram vistos de forma análoga à maneira como vemos as obras de arte hoje. No período abordado, era importante que as gravuras se assemelhassem um pouco com o tema, fosse ele um acontecimento, um retrato, etc. III Encontro Nacional de Estudos da Imagem 03 a 06 de maio de 2011 - Londrina - PR 1258