ÂNFORAS PANATENAICAS E PAISAGENS ESTRUTURAIS Gilberto da Silva Francisco 1 RESUMO: Este artigo discute a noção de paisagem relacionada a comportamentos estruturalmente articulados; dessa forma, paisagens estruturais. O objeto de análise são as dinâmicas diversas que organizaram comportamentos tradicionais relacionados ao manejo de um tipo de vaso: as ânforas panatenaicas. PALAVRAS-CHAVE: Arqueologia clássica, Ceramologia grega, Ânforas panatenaicas, Paisagem estrutural. ABSTRACT: This paper deals with the concept of landscape related to structurally organized behaviors, thus structural landscapes. The object of analysis is the several dynamics which organized behaviors related to the management of a type of vase: the Panathenaic amphorae. KEYWORDS: Classical Archaeology, Greek Ceramology, Panathenaic Amphorae, Structural Landscape. Atualmente, a noção de paisagem apresenta uma ampla, complexa e variada carga semântica, distanciando-se da formulação original, razoavelmente variada, 2 mas fixada, sobretudo, no tema e na execução ligada à pintura; 3 o que 1 Pós-doutorando MAE/USP; e-mail: gisifran@gmail.com. 2 É o que indica a apresentação do verbete Paisagem em um dicionário inglês-português do século XVIII: “LANDSCAPE, s. vista, o que se descobre de terras, campos, ou de outros objetos distantes; it. Paisagem, paizes, paineis que representaõ arvoredos, prados &c. (...) LANDSKIP, s. idem.” (VIEIRA, 1773, verbete landscape/landskip). 3 Em um dicionário do final do século XVIII (Encyclopaedia Britannica; or, a dictionary of arts, sciences, and miscellaneous literature, vol. 13), no longo verbete “Pintura” (p. 589-657), paisagem é apresentada como um gênero de pintura (p. 635-41) e baseia uma especialidade (o pintor de paisagem – p. 636, 639-40). Numa caracterização posterior do conceito, o termo é amplamente situado no campo da pintura na sua descrição: “Paisagem (a terminação - scape nesta palavra responde sufixo alemão -schaft, que é um particípio do verbo schaffen, fazer). O cenário do campo apresentado ao olho; e também, na sua acepção mais comum, uma figura apresentando tal cenário. A paisagem, latu senso, pode, porém, tornar-se alegórica e histórica no seu significado aplicado pelos artistas nos seus termos. O estudo principal do pintor da paisagem é o mundo vegetal, ar, água, pedras e edifícios. A isso ele pode imputar um ideal de beleza e assim elevar sua arte acima da mera pintura topográfica; um termo que pode ser aplicado ao seu trabalho, se ele simplesmente copia sem o refinamento que é apresentado ao seu olho. Uma paisagem pode ser igualmente elaborada em todas as suas partes, observando-se a perspectiva ao ar livre, porque o olho não é necessariamente mais fixo na visualização de uma imagem que em sua observação do cenário natural. As partes de uma figura são vistas em sucessão, tal como as várias partes de uma paisagem presente na natureza” ( Landscape (the termination scape in this word answers to the German suffix schaft, which is really a participle of the verb schaffen, to make). The scenery presented to the eye in the country; as also, in its more common acceptation, a picture representing such scenery. A landscape in the latter sense may, however, become allegorical and historical, in the meaning applied by artists to those terms. The chief study of the landscape painter is the vegetable world, air, water, rocks, and buildings. To these he may impart an ideal beauty, and thus elevate his art above mere topographical painting; a term which may be applied to his work, if he merely 81