SHERLOCK HOLMES - A figura do monstro e a transposição das narrativas de horror para a adaptação de Sherlock Holmes do diretor inglês Guy Ritchie Thais Saraiva Ramos Universidade Anhembi Morumbi, Brasil Abstract: The horror histories have been fascinating spectators through time, conquering attention sometimes because of the unknown and mystery ambience, and sometimes because we identify ourselves with the hero and his need for fight the threats, which attempt to destroy mankind. The monster is considered the personification of evil against human race, and the possible destruction of the later reflects our fears and makes it possible to discuss them. This paper analyses the Sherlock Holmes movie of the Britain director Guy Ritchie through the point of view of the horror narratives, from which we may find the monster character personified in the villain Lord Blackwood, with all its ritualistic practices and a series of murders. Keywords: Guy Ritchie, Sherlock Holmes, Horror cinema, Monsters, Serial Killer Introdução Sherlock Holmes foi um detetive particular, amante de violinos, que resolvia casos estranhos e tidos como impossíveis através da dedução de pistas e métodos científicos em meados dos anos de 1890 em uma Inglaterra vitoriana tomada por crimes, drogas e marginalidade. Seus casos e o confronto com seu maior antagonista, Prof. James Moriarty, o tornaram um dos mais conhecido personagens literários da historia mundial. Criado no final do século XIX pelo escritor e médico escocês Sir Conan Doyle, as historias de Sherlock Holmes já passaram por inúmeras adaptações e estudos até os dias de hoje, uma dessas adaptações mais recentes, é o filme produzido em 2009 pelo diretor britânico Guy Ritchie. Esse filmes veio com a proposta de fazer uma releitura do personagem título levando em conta a forma de condução narrativa que o diretor coloca como sua marca autoral: diálogos rápidos, técnica de captação que brinca com a câmera lenta e câmera rápida, mesclas de roteiro que contam a historia à partir de um ponto de vista underground do universo londrino. Outra coisa que chama atenção nessa obra, é a construção visual e uma linguagem mais obscura, com uma trilha sonora pesada e pontual para os momentos de tensão psicológica, a presença marcante de um corvo macabro que aparece sempre que acontece uma das mortes e uma historia baseada na prática do ocultismo pelo vilão. A forma como esse filme é conduzido levanta algumas questões sobre as referências estilísticas empregadas como base de pesquisa, além dos pontos já destacados, podemos perceber também a personificação da figura do Mal - característica dos monstros dos filmes de horror -, no personagem de Lorde Blackwood. São justamente essas referências, e a forma como elas são empregadas, que gostaria de investigar e analisar nesse artigo. Para tanto, gostaria de começar com um pequeno panorama histórico para contextualizar a historia a qual o filme se insere, logo em seguida trabalhar alguns conceitos do gênero horror – partindo do referencial teórico dos autores Noel Carrol, Laura Canépa e Luiz Nazário, entre outros -, e mais adiante, analisar a versão cinematográfica da historia de Sherlock Holmes do diretor Guy Ritchie, levando em consideração o emprego desses referenciais dentro do universo autoral do mesmo. A Londres vitoriana de Sherlock Holmes O contexto histórico ao qual está inserido o personagem de Sherlock Holmes é um período de grandes avanços científicos e tecnológicos, e ao mesmo tempo uma época de grande postura moral mais rígida, e que traçou um comportamento social marcado pelo puritanismo. Durante os anos de 1815 à 1914, a Europa viveu um período conhecido como Pax Brittanica, com a Europa definitivamente livre do fantasma de Napoleão, após a Batalha de Waterloo, a Inglaterra pôde finalmente consolidar-se como a grande potência mundial do século