CESARINO, ABA 2012 Cooperação sul-sul: que potencial analítico para a antropologia? 1 Letícia Maria Costa da Nóbrega Cesarino Universidade da Califórnia, Berkeley A presente comunicação visa discutir perspectivas interpretativas dominantes da literatura antropológica sobre desenvolvimento e cooperação internacional (em nomes como Arturo Escobar, James Ferguson, David Mosse, Olivier de Sardan, Donald Moore ou Tania Li) à luz dos resultados preliminares de pesquisa etnográfica em andamento sobre a cooperação técnica em agricultura tropical oferecida pelo Brasil a diversos países da África (com foco geográfico no oeste africano). Argumenta-se que, embora todos os ângulos analíticos revisados tenham algo de revelador a dizer sobre a cooperação sul-sul, nenhum deles é, sozinho, capaz de abarcar esse heterogêneo fenômeno de modo satisfatório. Enfocarei então o discurso e a prática da cooperação entre Brasil e África para propor noções melhor fundamentadas na experiência dos países periféricos, em especial com relação ao caráter emergente do universo institucional e das práticas operacionais envolvidas na prestação da cooperação, assim como aos imaginários recíprocos e à densidade histórica particular das relações entre as duas margens do Atlântico Sul – relações estas desde sempre mediadas pelos centros hegemônicos, porém irredutíveis aos discursos e práticas que predominam ao longo do eixo Norte-Sul. Palavras-chave: cooperação sul-sul, governamentalidade, Brasil, África 1 Trabalho apresentado na 28ª Reunião Brasileira de Antropologia, realizada entre os dias 02 e 05 de julho de 2012, em São Paulo, SP, Brasil. Este paper faz parte de reflexão em andamento no contexto da minha tese de doutorado, que vem sendo desenvolvida no Departamento de Antropologia da Universidade da Califórnia, Berkeley, financiada pela CAPES/Fundação Fulbright. Pelo apoio ao trabalho de campo, agradeço também ao Centro de Estudos Africanos e ao Instituto de Estudos Internacionais da UC Berkeley. Pela interlocução em torno de muitas das questões levantadas aqui, agradeço a Cori Hayden e Bruno Reinhardt, assim como a meus interlocutores de campo.