E SE A REDE DE TRANSPORTES COLETIVOS SOB CARRIS DOS ANOS 50 NÃO TIVESSE SIDO DESMANTELADA? COSTA, ANTÓNIO FLUP afonso.costa@gmail.com PACHECO, ELSA FLUP/CEGOT Resumo Em 1895 começou a circular no Porto o primeiro carro elétrico da Península Ibérica. Durante meio século a rede de carris expandiu-se pela cidade e municípios vizinhos. Nos anos 50 deu-se início o processo de desmantelamento da antiga rede dos transportes sobre carris. O séc. XXI trouxe novo investimento nos modos sobre carris, o que coloca uma questão: ao decidir-se pelo desmantelamento da rede de meados do século passado, não se terá perdido a oportunidade de a modernizar, evitando procedimentos e investimentos desnecessários? Para responder a esta questão, simula- se, com recurso a tecnologias SIG, a adequabilidade da rede do elétrico dos anos 50 às necessidades de procura atual do Grande Porto. Palavras-chave – eléctricos, transportes coletivos, mobilidade Abstract AND IF THE PUBLIC TRANSPORTATION NETWORK OF RAILS UNDER THE 50 HAD NOT BEEN DISMANTLED? In 1895 began to circulate in Porto the first electric car in the Iberian Peninsula. For half a century the rail sprawl over the city. In the 50’s was begun the process of dismantling the old network of rail transport. XXI century brought new investment in rail modes, which poses the question: the decision of dismantling the mid-century network had not missed the opportunity to modernize, avoiding unnecessary procedures and investments? To answer this question, is simulated, using GIS technologies, the suitability of the 50’s electrical network to current needs of Grande Porto. Keywords – tram, mass transit, mobility 1. INTRODUÇÃO Em finais do século XIX o Porto registou uma significativa expansão urbana, ultrapassando os limites administrativos da cidade, num processo de ocupação orientado pelos principais eixos de ligação regional (OLIVEIRA 1973). A intensa atividade comercial e a organização do território onde a cidade se inseria, com núcleos de povoamento disperso na envolvente mais próxima, determinaram, já desde o início de oitocentos, que diversas entidades empreendessem serviços de transporte coletivo 1 . Em 1 Veja-se, a título de exemplo as descrições das viagens de carroção dos anos 40 oitocentistas, imortalizadas em diversos artigos do periódico portuense “O Tripeiro”. Com uma lotação de 8 a 10 passageiros, sempre largamente ultrapassada, como se conta, o carroção do Porto também foi o primeiro transporte coletivo do género em Portugal. 505