1 A reinvenção da história atlântica: oralidade, memória e nudez Rodrigo Faustinoni Bonciani Escrita e oralidade: esquecimento e memória O objetivo dessa comunicação é demonstrar que a história escrita da colonização é um dos aspectos fundamentais do processo de dominação colonial e pós-colonial – que vincula escrita, silenciamento, violência, encobrimento e esquecimento – e que a possibilidade uma história emancipadora, depende da recuperação de um sentido da história que relacione oralidade, memória e a libertação do corpo (aqui representada pela nudez). O ponto de partida dessa reflexão, nos foi dado pelo diálogo Fedro, de Platão, que trata da arte da retórica, e tem o amor como um de seus temas principais. Platão, pela boca de Sócrates, narra um interessante encontro entre o deus Toth e o rei Tamus, do Egito. O deus, com cabeça de Íbis, apresentava ao rei suas invenções recentese falava da importância de difundi-las entre os egípcios. Sobre cada uma delas, Tamus ponderava os prós e contras de sua adoção. Dentre as diferentes artes e tecnologias expostas, Toth destacou a invenção da escrita, e observou: Oh rei! Esta invenção fará os egípcios mais sábios e servirá a sua memória; descobri um remédio contra a dificuldade de aprender e reter (PLATÓN, 1871, p. 341). Mas, Tamus ponderou: Os efeitos de seu invento serão contrários ao que diz. A escrita trará o esquecimento às almas e a depreciação da memória; fiados neste auxílio estranho, as pessoas delegarão aos caracteres o cuidado de preservar as recordações, alienando-as de seu espírito e de seu coração. Você não encontrou um meio de cultivar a memória mas, somente, uma forma de despertar reminiscências; e oferece aos seus discípulos a aparência e a sombra da sabedoria. Universidade Federal da Integração Latino-Americana, Doutor, rodrigo.bonciani@unila.edu.br.