EFEITOS DA MACRÓFITA EXÓTICA Uruchloa subquadripara (Trin.) R. D. Webster SOBRE A BIODIVERSIDADE NATIVA EM RESERVATÓRIOS DO SEMIÁRIDO BRASILEIRO. Rafael Machado de Araújo Alves Universidade Federal da Paraíba – Centro de Ciências Agrárias, Cidade Universitária, Areia-PB, 58397- 000. Aluno PIVIC-CNPq/UFPB. rafaelmachado@biologo.bio.br Luciana Gomes Barbosa Universidade Federal da Paraíba – Centro de Ciências Agrárias, Cidade Universitária, Areia-PB, 58397- 000. Professor Adjunto Departamento de Fitotecnia e Ciências Ambientais - DFCA/UFPB-CCA. lucianagbarbosa@yahoo.com.br Resumo: Na abordagem clássica dos estudos de comunidade, a estrutura é associada aos processos locais em detrimento daqueles ocorrentes em amplas escalas espaciais, determinantes nos padrões de distribuição geográfica das espécies. O presente estudo teve como objetivos principais: i) determinar a abrangência de ocorrência e intensidade de infestação da espécie exótica Urochloa subquadripara (Trin.) R. D. Webster em reservatórios da área de influencia da bacia do Mamanguape, Paraíba, Brasil; ii) Determinar o efeito da colonização e biomassa de U. subquadripara na riqueza de espécies nativas nos reservatórios Rio do Canto (eutrofizado) e Vaca Brava (mesotrófico; localizado em área de preservação). Ao todo foram investigados 40 reservatórios. Nos reservatórios Vaca Brava e Rio do Canto os resultados indicaram elevada biomassa da exótica e baixa diversidade de espécies nativas. A hipótese principal de que a colonização e aumento biomassa de U. subquadripara são facilitados e elevados em ambientes impactados antropogenicamente foi comprovada através da elevada biomassa no reservatório do Rio do Canto (taxas de ocupação entre 60 e 100%). Os resultados indicaram uma ampla distribuição da espécie U. subquadripara, com 36 ecossistemas com percentual de infestação entre 5 e 20%, indicando a necessidade de medidas mitigadoras e monitoramento da área de expansão da espécie com o objetivo de fornecer subsídios para conservação em ecossistemas aquáticos. Palavras-chave: Invasão Biológica. Ecossistemas aquáticos. Escalas espaciais. 1. Introdução Diversos estudos sobre invasões biológicas são desenvolvidos enfatizando impactos nos ecossistemas e a extinção de espécies nativas em amplas escalas espaciais. A introdução de espécies exóticas em águas doces é um processo comum, promovendo ameaças a várias comunidades de espécies nativas, fator preocupante para a conservação já que ecossistemas aquáticos continentais muitas vezes possuem maior biodiversidade de espécies que ecossistemas terrestres e marinhos, com alta taxa de extinção. (BALIAN et al., 2008; JENKINS, 2003). A introdução de espécies exóticas, acidental ou deliberada, representa atualmente uma das maiores ameaças à biodiversidade, produzindo alterações expressivas na composição, estrutura e processos dos ecossistemas (D’ ANTONIO; VITOUSEK, 1992). A preocupação com os processos de invasão em ecossistemas aquáticos continentais é crescente devido aos registros de introdução de espécies dos mais variados grupos de organismos (VITULE et al., 2009; 1 - THOMAZ et al., 2009) afetando a saúde ecológica e reduzindo os usos múltiplos dos reservatórios. As condições ambientais, tais como disponibilidade de recursos, o grau de perturbação natural e/ou antropogênico do ecossistema são fatores fundamentais a serem abordados nos estudos de invasão (SOUZA et al., 2009).