PRÁTICAS SOCIOCULTURAIS JUVENIS: SOCIABILIDADE UNIVERSITÁRIA NAS CIDADES HISTÓRICAS DE OURO PRETO (BRASIL) E COIMBRA (PORTUGAL) Eder Malta (UFS) ecmsouza@gmail.com De maneira que circunscreve as práticas urbanas enquanto modos de fazer, de enunciação e significação da cultura, Michel De Certeau postula que “não basta ser autor de práticas sociais; é preciso que essas práticas sociais tenham significado para aquele que as realiza”(1995, p.141). Esta afirmação concebe que as ações exercidas pelos sujeitosdecorrem da fragmentação dos sentidos atribuídos aos espaços urbanos e como eles o praticam ao elaborarem os lugares de sociabilidade pública. As práticas consistem em formação de socioespacialidadese inscrevem de modo multipolarizado os usos das cidades. São “maneiras de fazer” advindas, portanto, da criatividade e de invenções cotidianas, as quais podem significar movimentos que se manifestam contraditoriamente à paisagem social, a exemplo dos lugares de elaboração da sociabilidade juvenil. De Certeau, entende que uma prática cultural “consiste não em receber, mas em exercer a ação pela qual cada um marca aquilo que outros lhe dão para viver e pensar” (1995, p.143). A partir dessas noções, este paperpropõe expor estudosfeitos sobre a cultura universitária da cidade de Ouro Pretoe a influência da cidadede Coimbra em sua formação (MALTA, 2010), como sugestão de análise comparativa acerca das incidências identitárias, entre semelhanças e dessemelhanças, desse aspecto da cultura juvenil.Como recorte,propõe-se uma discussão sobre o deslocamento das tradições estudantis coimbrãs para Ouro Preto, os estilos de vida e a formação de espaçospúblicosque constituem-se em lugares(LEITE, 2007), o que compreende: 1) as repúblicas estudantis, entendidas como lugares de moradia, estudos, ritos, festas e sociabilidade;2) os espaços que conformam a imagem urbana destes dois importantes sítios históricos, no Brasil e em Portugal e sua “conexão” com a vida juvenil universitária.