Ciência, Tecnologia e percepção da realidade em Weber e Durkheim Gilberto Lacerda dos Santos Ph.D. em Educação; Dr. Em Sociologia Professor Associado da Universidade de Brasília Programa de Pós-Graduação em Educação 1. Introdução A teoria social moderna surgiu durante o período das grandes transformações que ocorreram na Europa entre os anos de 1750 e 1920, especialmente na França, na Alemanha e na Inglaterra. Conforme indicação de Morisson (1995), a Revolução Francesa de 1789 foi um dos fatores mais decisivos para impulsionar o desenvolvimento de uma teoria social formalmente distinta das teorias filosóficas. À Revolução devemos a elaboração das bases das teorias sociais sobre o indivíduo, das modernas teorias econômicas e do quadro de referência político atual. Outro fator de importância máxima foi a Revolução Industrial Inglesa, que instigou a dissolução da velha economia agrária então em vigor e impulsionou um rapidíssimo desenvolvimento no comércio, na ciência e na tecnologia. Enfim, o terceiro «ingrediente» para a elaboração da teoria social moderna seria o trinômio delimitado pelo crescimento das economias industrializadas, pela criação dos sistemas políticos contemporâneos e pela supervalorização do pensamento científico e da produção tecnológica. Particularmente, este último aspecto marcou de forma determinante, desde meados do século XIX, a própria evolução da sociedade à medida que a ampliação do conteúdo da ciência, a modificação de seu contexto e a incomensurável produção e disseminação tecnológica influenciaram profundamente o pensamento social contemporâneo. Enquanto elemento-chave da teoria social moderna, o desenvolvimento científico e tecnológico da segunda metade do século XX conduziu a civilização ocidental na direção de um momento de transição entre o paradigma da ciência moderna e um novo paradigma, cuja emergência nos é constantemente sinalizada. A emergência de um paradigma da ciência pós-moderna reflete assim o surgimento de uma nova teoria social, essencialmente marcada por uma abordagem hermenêutica segundo a qual a percepção da realidade passa necessariamente pela percepção de cada uma de suas partes e vice-versa. Nesse sentido, e como o evidencia Gadamer (1983), o todo e a parte são aqui meras ilusões, pois ambos se confundem e se