O Cemitério como um Lugar para a Memória Elaine Maria Tonini Bastianello 1 elatoba@bol.com.br Prof Dr. Fábio Vergara Cerqueira Diretor do ICH da UFPEL. Resumo: Ao enfocar essa temática, o meu objeto central é estabelecer algumas reflexões sobre o significado do monumento tumular a fim de abrir análises sobre os processos de enterramentos, bem como mostrar as suas manifestações culturais, procurando entender como essas servem de instrumento de reforço do imaginário para a construção de lugares de memória. Palavras-chave: Cemitério, Monumento, Memória. Abstract: Considering the cemitery as a central place for memory, my core objective is to establish some reflections on the meaning of the sepulture monuments in order to analize the various burial proceedings as well as to show the cultural manifestations to undenstand how they work as a incentive for imagination on the construction of ones memory places. Key-words: Cemitery, Monument, Memory. Introdução: A proposta de examinar o Cemitério 2 é por perceber nele a existência de uma diversidade materializada nas edificações tumulares, nas quais estão inscritas várias manifestações culturais, pois as atitudes diante da morte não são uniformes. Este estudo se baseou em fontes bibliográficas, que serviram de suporte para analisar essas manifestações, como também é o resultado de várias idas a campo. Através da edificação tumular, se busca manter viva a memória e a identidade do sepultado, pois entendemos que os sepulcros são lugares de preservação de memórias. Para Bellomo (2008, p.243), os cemitérios são ótimos exemplos desta necessidade de manter “viva” a identidade cultural de um determinado grupo (...) através de epitáfios, estátuas, fotografias ou símbolos; é a retomada no sentido de lembrança, a lembrança de uma vida e de seus atos. Essa lembrança não é apenas a memória do defunto, mas uma memória coletiva. Nesse sentido, Maurice Halbwachs (2006) a esse respeito destaca que, pela memória, o passado vem à tona, articulando-se com as percepções cotidianas. Para o autor, lembrar não é reviver o passado, mas reconstruí-lo. Assim, em consonância com o 1 Aluna do curso de mestrado em Memória Social e Patrimônio Cultural da UFPel/RS. 2 A palavra cemitério designava mais particularmente a parte exterior da igreja, o atrium ou adro. Adro é também uma das palavras utilizadas na linguagem corrente para designar cemitério, pertencendo o termo cemitério, até ao séc. XV, ao latim dos clérigos (ARIÈS, 1989, p.27).