N x y L M N O P R S T U X 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 37% CAMADA 8 osso queimado (1991-2006) NRQ = 38 N x y L M N O P R S T U X 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 33% CAMADA 9 osso queimado (1991-2006) NRQ = 60 N x y L M N O P R S T U X 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 29% CAMADA 10 osso queimado (1991-2006) NRQ = 51 N x y L M N O P R S T U X 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 19% CAMADA 11 osso queimado (1991-2006) NRQ = 243 N x y L M N O P R S T U X 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 35% CAMADA 12 osso queimado (1991-2006) NRQ = 218 N x y L M N O P R S T U X 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24% CAMADA 13 osso queimado (1991-2006) NRQ = 450 N x y L M N O P R S T U X 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 16% CAMADA 14 osso queimado (1991-2006) NRQ = 986 N x y L M N O P R S T U X 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 18% CAMADA 15 osso queimado (1991-2006) NRQ = 420 N x y L M N O P R S T U X 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 57% CAMADA 16 osso queimado (1991-2006) NRQ = 1376 N x y L M N O P R S T U X 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 86% CAMADA 17 osso queimado (1991-2006) NRQ = 917 N x y L M N O P R S T U X 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 59% CAMADA 18 osso queimado (1991-2006) NRQ = 378 N x y L M N O P R S T U X 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 48% CAMADA 19 osso queimado (1991-2006) NRQ = 233 14-15 cm 10-11 cm 9-10 cm 8-9 cm 7-8 cm 6-7 cm 5-6 cm 4-5 cm 3-4 cm 2-3 cm 1-2 cm 0-1 cm 50% 40% 30% 20% 10% 0% 1 1 1 1 4 9 27 48 216 631 2.504 1.924 14 13 12 11 10 9 8 Camada Count % within Cam Count % within Cam Count % within Cam Count % within Cam Count % within Cam Count % within Cam Count % within Cam Count % within Cam Count % within Cam Count % within Cam Count % within Cam Count % within Cam Count % within Cam Count % within Cam Chiroptera Leporidae Mustelidae Sus scrofa Canis lupus Cervus elaphus Equus sp. Rhinocerotidae Testudinae Herbívoro Microfauna Mesofauna Macrofauna Total Taxonomia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 88 36 24 28 6 17 3 35,2% 47,2% 58,3% 14,3% 23,5% 31 17 14 4 4 22,7% 16,7% 5,9% 20 4 1 1,1% 2,8% 1 1 8,0% 5,6% 33,3% 7 2 1 8,0% 4,2% 7,1% 16,7% 5,9% 7 1 2 1 1 2,8% 10,7% 1 3 1,1% 11,1% 1 4 8,0% 11,1% 16,7% 17,9% 66,7% 47,1% 66,7% 7 4 4 5 4 8 2 1,1% 1 1,1% 1 1,1% 1 11,4% 19,4% 4,2% 50,0% 16,7% 17,6% 10 7 1 14 1 3 1,1% 1 Total 19 18 17 16 15 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 2594 89 248 816 1131 108 5,5% 9,0% 5,6% 1,2% ,8% 28,7% 142 8 14 10 9 31 1,7% 2,0% 1,3% 2,8% 44 5 11 3 ,3% ,8% ,2% ,2% ,9% 9 2 2 2 1 ,4% ,9% 11 1 86,3% 85,4% 89,9% 96,6% 95,7% 52,8% 2238 76 223 788 1082 57 ,5% ,4% 2,8% 12 5 3 1,0% 1,1% 1,6% 1,9% 26 1 18 2 1,7% 1,1% ,3% 4,6% 43 1 3 5 ,0% 1 ,0% 1 ,0% 1 2,5% 3,4% 1,6% ,6% 1,1% 4,6% 65 3 4 5 12 5 ,0% 1 Branco (700 - 900ºC) Cinzento (400 - 700ºC) Preto (300 - 400ºC) Castanho (0 - 300ºC) 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% CAMADA 14 (NRQ = 986) CAMADA 15 (NRQ = 420) N % N % NRQ NRD 29 2,9 72 17,1 NRI 957 97,1 348 82,9 Dimensão 0-1 cm 264 26,8 102 24,3 1-2 cm 495 50,2 221 52,6 Total < 2 cm 759 77,0 323 76,9 Histologia Esponjoso 46 4,7 26 6,2 Compacto 940 95,3 394 93,8 Cor Castanho 370 37,5 137 32,6 Preto 551 55,9 252 60,0 Cinzento 61 6,2 31 7,4 Branco 4 0,4 0 0 A GRUTA DA OLIVEIRA, REDE CÁRSICA DA NASCENTE DO ALMONDA, TORRES NOVAS, PORTUGAL Uma proposta prévia da sua ocupação pelo Homem Neandertal. Os ossos queimados. Mariana Nabais mariananabais@gmail.com BIBLIOGRAFIA COSTAMAGNO, S.; THÉRY-PARISOT, I.; BRUGAL, J.P. & GUIBERT, R. (2002): “Taphonomic consequences of the use of fuel. Experimental data and archaeological applications.” In T. O’Conor (eds.): Biosphere to Lithosphere. New studies in vertebrate taphonomy. (Proceedings of the 9th Conference of the International Council of Archaezoology, Durham, August, 2002): 51-62. Oxbow Books, Oxford. NICHOLSON, R. (1993): “A morphological investigation of burnt animal bone and an evaluation of its utility in archaeology.” Journal of Archaeological Science, 20: 411-428. STINER, M.; KUHN, S.; WEINER, S. & BAR-YOSEF, O. (1995): “Differential Burning, Recrystallization and Fragmentation of Archaeological Bone.” Journal of Archaeological Science, 22: 223-227. THÉRY-PARISOT, I. (2001): Economie des combustiles du Paléolithique. Dossiers de documentation archaéologique, vol. 10. Paris, CNRS. THÉRY-PARISOT, I.; COSTAMAGNO, S.; BRUGAL, J.P; FOSSE, P. & GUILBERT, R. (2002): “The use of bone as fuel during the Paleolithic, experimental study of bone combustible properties.” In J. Mulville & A.K. Outram (eds): The Zooarchaeology of Fats, Oils, Milk and Dairying (Proceedings of the 9th Conference of the International Council of Archaezoology, Durham, August, 2002): 50-59. Oxbow Books, Oxford. WENINGER, B.; JÖRIS, O. & DANZEGLOCKE, U. (2007): CalPal-2007. Cologne Radiocarbon Calibration & Palaeoclimate Research Package. http://www.calpal.de/ ZILHÃO, J. (2000): “The Ebro frontier: a model for the late extinction of Iberian Neanderthals”. In C. Stringer, R. N. E. Barton and C. Finlayson (eds.): Neanderthals on the edge: 150th anniversary conference of the Forbes’ Quarry discovery, Gibraltar: 111-121. Oxbow Books, Oxford. ZILHÃO, J. (2006): “Chronostratigraphy of the Middle-to-Upper Paleolithic Transition in the Iberian Peninsula”. Pyrenae, 37: 7-84. ZILHÃO, J. & MCKINNEY, C. (1995): “Uranium¬ Thorium dating of Lower and Middle Paleolithic sites in the Almonda karstic system (Torres Novas, Portugal).” Actas da 3ª Reunião do Quaternário Ibérico (Coimbra, 1995). Coimbra. ZILHÃO, J.; ANGELUCCI, D.; ARGANT, J.; BRUGAL, J.P; CARRIÓN, J.; CARVALHO, R.; FUENTES, N.; NABAIS, M.; & QUEIROZ. P. (2009): “Humans and Hyenas in the Middle Paleolithic of Gruta da Oliveira (Almonda karstic system, Torres Novas, Portugal)”: in press. O SÍTIO A Gruta da Oliveira (39° 30’ 23” N; 008° 36’ 49” W) encontra-se inserida na rede cársica da nascente do rio Almonda, um afluente do rio Tejo, que se desen- volve numa escarpa com cerca de 75 m de altura (Fig. 1). Tendo sido identifica- dos materiais líticos do Moustierense, desde 1989 que ali se fazem escavações, que confirmam uma estratigrafia do Paleolítico Médio com um intervalo temporal entre os ~35.000 (14C; Weninger et al., 2007) e os ~70.000 (U-Th) anos BP A FAUNA QUEIMADA DISPERSÃO Para este estudo, considerou-se apenas a fauna queimada recolhida até à campanha de 2006, verificando-se que está sempre presente desde a camada 8 à 19. Uma vez que existem restos queimados, indústria lítica e elementos faunísticos com marcas de corte, a presença humana na gruta está comprovada. Porém, este facto não impede uma possível alternância na ocupação do sítio nas camadas superiores (de 8 a 13), sendo sugerido que os humanos teriam uma maior presença durante os está- dios glaciários, de clima mais frio, e os carnívoros durante os interestádios, de clima mais ameno (Zilhão et al., 2009). A distribuição dos fragmentos de fauna queimada na gruta é genericamente compatível com a distribuição dos materiais líticos e da fauna não queimada (Fig. 2 A-L), verificando-se uma única excepção na camada 8 (Fig. 2 A), mas que não se considera como um caso relevante, visto o Número de Restos Queimados (NRQ) ser tão re- duzido. É também uma característica comum à distribuição dos fragmentos queimados, a tendência para a sua dispersão em direcção a SO, o que se deve ao facto de os sedimentos inclinarem nessa direcção, justificando-se assim as escorrências horizontais. É possível distinguir três áreas distintas de concentração de restos faunísticos queimados: 1. Camadas 8 a 12 (Fig. 2 A-E): verifica-se uma maior incidência de achados no corredor NE; 2. Camadas 13 a 16 (Fig. 2 F-I): maior densidade de achados na Sala 27 de Setembro (a NO), tendo-se verificado uma ocupação humana muito intensa; 3. Camada 17 a 19 (Fig. 2 J-L): os restos queimados encontram-se sobretudo na ligação da zona do corredor NE com a entrada da Sala 27 de Setembro, por baixo de uma saliência da parede da gruta; contudo, estas camadas ainda se encontram em fase de escavação. Embora o Número Total de Restos Queimados (NTRQ) iguale os 5367 fragmentos, apenas uma estrutura de combustão foi registada no contacto entre as camadas 14 e 15, nos quadrados L/20-21 (Figs. 2 G-H). Para a sua identificação in situ consideraram-se características como a rubefacção do sedimento, as manchas de carvão e a presença de termoclastos e sílex queimado. A distribuição dos ossos queimados nessas camadas, corrobora as observações feitas. RESULTADO DO ESTUDO: SUGESTÃO DA UTILIZAÇÃO DOS OSSOS COMO COMBUSTÍVEL Os restos de fauna queimada da Gruta da Oliveira apresentam um elevado índice de fragmentação, em que 82,5% dos NTRQ são de dimensão inferior aos 2 cm (Fig. 3). No que se refere às partes de osso que foram queimadas, constata-se que as extremidades (de osso esponjoso) têm uma representatividade quase nula de 3,4%. Quanto ao Número de Restos Determinados (NRD), é curioso verificar que em 44,5% dos casos é possível determinar a espécie (Tabela 1). Este fenómeno é explicado pelo facto de 86,3% do NRD ser constituído por carapaça de tartaruga, cujas características são tão bem definidas, que até nos fragmentos de menor dimensão é possível a sua identificação. Reportando-nos à cor do NTRQ, verifica-se que 68,7% da amostra é de cor preta, enquanto que 7,8% apresentam uma coloração cinzenta ou branca (Fig. 4). Através da cor do NTRQ, é também possível inferir a temperatura a que os fragmentos estiveram expostos (Nicholson, 1993), confirmando-se que os grupos paleolíticos não precisavam de ultrapassar os 600ºC para satisfazerem as suas necessidades mais básicas (Théry-Parisot et al., 2002). Pode-se apenas sugerir a utilização dos ossos de animais como combustível para as camadas 14 e 15 (Tabela 2), pois são as únicas que se encontram associadas a uma estrutura de combustão in situ (Costamagno et al., 2002). Bons suportes desta hipótese são o facto de cerca de 77% do NRQ de cada uma destas camadas ser de dimensão inferior a 2 cm (Théry-Parisot, 2001), o NRD ser muito reduzido (Costamagno et al., 2002) e a quantidade de restos carbonizados (de cor preta) consistir em mais de metade da amostra (Théry-Parisot, 2001). Contudo, não se podem dar certezas para o uso dos ossos como combustível, porque os valores dos restos esponjosos e dos restos de cor cinzenta ou branca são muito baixos. No entanto, os fragmentos de osso com estas características são mal conservados por serem muito frágeis, desaparecendo facilmente do registo arqueológico devido a processos pós-deposicionais, onde o trampling detém um papel primordial (Stiner, 1995). Fig. 1 - Localização da Gruta da Oliveira. Fig. 2 - Distribuição por camadas do NTRQ (1991-2006) da Fig. 3 - Classes de dimensão do NTRQ da Gruta da Tabela 1 - NRD por camada. Fig. 4 - Cor e temperatura associada do NTRQ da Gruta da Oliveira. Tabela 2 - Análise das características das camadas 14 e 15 correspondentes à estrutura de combustão in situ da Gruta da Oliveira. A B C D E F G H I J K L Fig. 5 - Exemplo de um osso queimado: mandíbula de herbívoro.