In: ENCONTRO DE ESTUDOS ORGANIZACIONAIS, 2., 2002, Recife. Anais... Recife: Observatório da Realidade Organizacional : PROPAD/UFPE : ANPAD, 2002. 1 CD. Produção de Sentidos: Tempo e Velocidade nas Organizações Maria José Tonelli Resumo Este artigo tem por objetivo apresentar os sentidos atribuídos pelas pessoas à velocidade e à aceleração no cotidiano de trabalho e, especialmente, o método utilizado para a pesquisa de campo e a análise dos resultados. O trabalho foi organizado da seguinte forma: apresentamos em primeiro lugar, alguns aspectos da História do tempo e de como incorporamos o tempo linear do relógio no trabalho, para dar o contexto deste estudo. Na segunda parte, e como foco principal do trabalho, apresentamos a abordagem teórico- metodológica – o construcionismo - utilizada na investigação. Na terceira parte, discutimos os resultados obtidos para os sentidos da velocidade: ela é ambígua, mas, ao mesmo tempo, libertadora e aprisionadora. Na última parte apresentamos as considerações finais com sugestões para pesquisas futuras. Abstract The intent of this paper is to present the senses that people give to velocity and acceleration in their worklife routine and, specially, the method that has been used to field procedures and result’s analyses. The paper was organized as follow: in the first part, we present some aspects of the History of time and the embodiment of the linear time at work, in order to contextualize the problem of this study In the second part, as the main focus of this article, we present the construcionism as the theoretical and methodological approach used in this research. In the third part, we discuss the results about the senses of velocity; the velocity is ambiguous, but, at the same time, it’s facilitating and imprisoning. Finally, we present some comments about the results and suggestions to future works. Introdução A organização do tempo no trabalho tem um longa história que culminou, no início do século XX (Edward Thompson, 1991; Jacques, 1998; Hassard, 2000a, 2000b, 2000c) com o controle quase absoluto dos tempos e movimentos, que se expressou mais claramente no conhecido trabalho de Taylor (1987). Depois de um século, assistimos a uma mudança na organização do trabalho (Harvey, 1983) que provoca profundas alterações na concepção do tempo e do espaço. O objetivo deste trabalho é apresentar uma pesquisa que buscou, através do referencial teórico-metodológico construcionista, os sentidos que as pessoas atribuem à mudança na percepção do tempo e ao aumento da velocidade no trabalho. O artigo foi organizado da seguinte forma: apresentamos na primeira parte uma breve história da construção social do tempo linear no trabalho, de modo a explicitar o contexto do nosso tema: a aceleração no trabalho. Na segunda parte, apresentamos os procedimentos que foram usados na pesquisa de campo e análise dos resultados. Entendemos, como Spink (1999), que é fundamental na ciência, para garantirmos seu rigor, explicitar o máximo possível os procedimentos e os passos utilizados na investigação. Na terceira parte apresentamos as associações obtidas e os sentidos da velocidade. A velocidade aparece associada com o uso do computador no trabalho e seu sentido é ambíguo: ela é tanto facilitadora como aprisionadora na organização do trabalho. Na última parte discutimos os resultados e apresentamos sugestões para futuros trabalhos.