Construção de ontologias espaciais: O lote urbano Carolina Moutinho Duque de Pinho 1 Elizabeth Goltz 1 1 INPE—Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, 12201 São José dos Campos, SP, Brasil carolina@ltid.inpe.br ; goltz@ltid.inpe.br Abstract: A lot of works in the area of computer sciences have been exploring the use of ontologies, aiming at specifying e standardizing information from a given domain, making it possible to be reused and shared by different users. Presently, the exchange of geographical information is determined by two important factors: the great volume of collected data about Earth's surface and the dynamism that computational networks have given to this information exchange. Nevertheless, the interconnection between these geographical information systems is still not precise, and this happens mainly due to problems of semantical and syntactical interoperability. This article suggests the development of an ontology of urban parcel, based on the law of parceling for the city of Belo Horizonte - MG, aiming at helping the semantic interoperability problem. . 1. Introdução Muitos trabalhos na área da ciência da computação vêm explorando o uso de ontologias, visando especificar e padronizar informações de um determinado domínio, possibilitando o seu compartilhamento e reuso por diferentes usuários. O uso de ontologias em sistemas de informações geográficas (SIGs) também tem se afirmando como uma forte tendência. Neste caso as ontologias são utilizadas para solucionar problemas de representação espacial de objetos geográficos e para promover a interoperabilidade entre SIGs com diferentes arquiteturas e formatos de dados. Porém, a interconexão entre estes sistemas de informações geográficas está longe de ser alcançada (Vckovski, 1999 apud Fonseca 1999). A interoperabilidade pode ser definida como a “a capacidade de compartilhar e trocar informações e processos entre ambientes heterogêneos, autônomos e distribuídos” (Yan, 1998 apud Lima, 2002). A interoperabilidade se separa em dois níveis: sintático e semântico. O nível sintático se refere ao esquema próprio de cada sistema para armazenamento e documentação de seus dados. Já o nível semântico diz respeito à representação conceitual da informação geográfica, presente em cada sistema, ou o significado do dado geográfico para um dado sistema. O uso de ontologias vem tentar resolver os efeitos da interoperabilidade semântica nos sistemas de informações geográficas. Este artigo tem como principal objetivo a construção de uma ontologia de lote urbano dentro do domínio do Cadastro Técnico municipal de Belo Horizonte. 2. Revisão de literatura A palavra ontologia foi herdada da filosofia, que significa uma explicação sistemática da existência. (Novello, 2002). Aristóteles foi um dos primeiros pensadores a definir a ontologia, como “a ciência do ser enquanto ser” (Pages madinfo.pt, 2003). No caso do uso do termo “ontologia” na ciência da computação, sua definição foi dada inicialmente por Gruber (1993), sendo que “ontologia é uma especificação explícita de uma conceitualização”. Já para Guarino (1998), “uma ontologia é uma teoria lógica para relacionar o significado pretendido de um vocabulário formal, isto é, seu comprometimento com uma conceitualização particular do mundo”. Já para componentes Fonseca, Egenhofer et al. (2000) ontologia é uma teoria de especificação de vocabulário relativo a um determinado domínio definindo entidades, classes, funções e relacionamentos entre estes componentes. Gómez-Pérez (1999) destaca que para a construção de uma ontologia, cinco tipos de componentes têm que ser levados em conta: conceitos (termos ou classes, e seus domínios de valores), relacionamentos, funções (relações especiais onde o n-ésimo elemento da relação é único para os n-1 elementos precedentes), axiomas (modelam sentenças que são sempre verdadeiras) e instâncias. Segundo Novello (2002), os relacionamentos mais utilizados na representação de ontologias são a taxonomia (“é um”, “tipo de”), a partonomia (“parte de”), a mereologia (teoria “parte-todo”), a cronológica (precedência entre os conceitos) e a topologia (teoria de limite e fronteira).