APRENDIZAGEM EM ENGENHARIA: PROJECTOS E EQUIPAS INTERDISCIPLINARES José Dinis Carvalho* 1 , Rui M. Lima 2 , Sandra Fernandes 3 1,2 Universidade do Minho, Departamento de Produção e Sistemas, Escola de Engenharia - Guimarães, Portugal 3 Universidade do Minho, Instituto de Educação e Psicologia - Braga, Portugal Email: 1 dinis@dps.uminho.pt, 2 rml@dps.uminho.pt, 3 sandra@dps.uminho.pt RESUMO Este artigo descreve uma experiência de aprendizagem centrada em projecto, onde equipas compostas por alunos de diferentes cursos de engenharia cooperam na resolução de um problema real proposto por uma empresa. Esta experiência de aprendizagem perfeitamente enquadrada na estrutura curricular dos cursos que participaram no projecto, envolveu em média mais de 10 ECTS por aluno, resultando numa capacidade superior a 1700 horas.homem por equipa. Neste projecto inovador de aprendizagem, além de se fomentar o desenvolvimento eficaz de competencias ténicas e competências tranversais como trabalho em equipa, liderança e comunicação, foi fomentado também o espírito de empreendedorismo e de inovação. Os aspectos mais relevantes do projecto são o facto de se tratar de um problema real e multidisciplinar, tratado por equipas multidisciplinares de alunos, resultando em soluções técnicas de grande qualidade para a melhoria da competitividade. 1. INTRODUÇÃO As competências mais valorizadas pelos empregadores de engenheiros nem sempre coincidem com as competências valorizadas pelos gestores do ensino superior em Engenharia. Tem-se notado que os empregadores valorizam competências como capacidade de comunicação e de trabalhar em equipa, capacidade de gerir e liderar equipas, capacidade para resolver problemas, espírito de iniciativa e consciência comercial. Ora estas competências, embora muito valorizadas pelos empregadores (Targetjobs 2007) são muitas vezes desvalorizadas nas nossas universidades, não fazendo parte dos objectivos de aprendizagem da maioria das unidades curriculares. Para que essas competências sejam adquiridas pelos alunos é necessário que se crie um ambiente propício ao seu florescimento, ambiente esse que está longe de existir. No sentido de criar, no ensino universitário de Engenharia, um ambiente com condições propícias ao desenvolvimento dessas competências transversais, diversos cursos da Escola de Engenharia da Universidade do Minho têm vindo a adoptar metodologias activas de “ensino/aprendizagem centradas em projectos interdisciplinares” (Carvalho e Lima, 2006; Lima et al., 2007). Com esta motivação e com um certo movimento de mudança, reforçado pelo espírito da Declaração de Bolonha, adquiriu-se experiência nesta metodologia de aprendizagem em várias das suas vertentes. Esta metodologia centrada em projecto, de acordo com as definições de Powell & Weenk (2003) ou Helle et al. (2006), procura enfatizar o trabalho em equipa, a resolução de problemas interdisciplinares e a articulação teoria/prática,