GRUPOS SUBALTERNOS E AGENTES SOCIAIS NAS FAVELAS CARIOCAS Rogério Ferreira de Souza 1 Resumo Esta comunicação tem como foco central discutir as formas de ações políticas dos agentes comunitários em algumas favelas cariocas. O esforço dessa discussão visa, primeiramente, buscar uma abrangência na utilização do pensamento de Antônio Gramsci no universo social das favelas em nossa contemporaneidade, principalmente, quando Gramsci discute os grupos sociais subalternos e a função dos intelectuais orgânicos no processo político de luta contra o pensamento hegemônico. A premissa inicial nos parece ser, a da existência de uma nova forma de se fazer política representativa nas classes subalternizadas, desvinculadas, tanto nas suas ações concretas como nos seus discursos, da ideologia partidária; forma esta marcante nas primeiras ações organizadas dos moradores de favelas na cidade do Rio de Janeiro. Sustenta-se também que as lideranças políticas dos moradores de favelas, tanto quanto à prática política quanto ao discurso utilizado nessas práticas passaram por mudanças significativas. Ou seja, qual a forma de enfrentamento que as lideranças comunitárias têm-se utilizado para lidar com o poder hegemônico, tanto do Estado como do capital? Palavras-chave: Liderança política, grupos subalternos e representatividade política. 1.1 - Introdução A função histórica exercida pelas lideranças comunitárias dos moradores de favelas, ou seja, a função de líder comunitário é em sua essência uma função política. Uma função que busca com suas ações enfrentar à condição subalternizada imposta aos moradores de favelas ao longo de sua história. E, como função política, de representante de um grupo, é uma função intelectual. Uma função que age na confluência da consciência e eloqüência; falar “a verdade a àqueles que não a viam e em nome daqueles que não podiam dizê - las”(FOUCALT, 2007, p.70-71). Consciência e eloqüência adquirida na ausência, na falta e na diferença; no tratamento violento e simbólico e que marcaram as lutas dos moradores de 1 Professor de sociologia no Programa de Pós-graduação do IUPERJ-UCAM. Coordenador do Laboratório de Estudos da Cidade e da Cultura- LECC/IUPERJ, junto ao CNPq.