PARADISO, Silvio Ruiz. Educação, literatura, diversidade étnico-cultural e religiões afro-brasileiras: o diálogo possível. Revista Interletras (Dourados), v. 2: n.13, 2010. EDUCAÇÃO, LITERATURA, DIVERSIDADE ÉTNICO-CULTURAL RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS: O DIÁLOGO POSSÍVEL Silvio Ruiz PARADISO 1 (PG UEL / CNPq) RESUMO: Revelar-se-á a partir deste artigo que o Candomblé, religião afro-brasileira de maior relevância acerca de cultura negra e africana, pode ser tema para o diálogo educacional sobre diversidade étnico-cultural, racismo, preconceito e alteridade. A partir da Lei 10.639/2003, questões sobre história, literatura e cultura afro-brasileira começam a ser discutidas nas escolas e academias. Todavia, a desconstrução de estereótipos, do racismo e do preconceito ainda é lenta quando o assunto gira em torno dessa religião de matriz africana, pois o “culto” aos deuses negros afronta as mentes alienadas que,mesmo “tolerantes”, teimam que Deus e seu culto só podem ser brancos. Logo, nosso objetivo é inserir o tema “Candomblé” para o debate na escola, acerca de diversidade etnicocultural, educação e tolerância desconstruindo paradigmas e reconstruindonovos conceitos. PALAVRAS-CHAVE : Candomblé; racismo, religiões, cultura afro-brasileira CONSIDERAÇÕES INICIAIS A valorização do patrimônio histórico cultural afro-brasileiro começa a tomar corpo a partir da lei 10.639/2003, que implica em valorizar a “diversidade daquilo que distingue os negros dos outros grupos que compõem a população brasileira” (DIRETRIZES..., 2005, p.11). Para tanto, é necessário desconstruir uma ideologia e um discurso que sempre depreciou o negro, bem como todo seu conjunto cultural (desde penteados até suas crenças ancestrais). Nossa proposta baseia-se em abordar essas crenças ancestrais, metonimizadas no candomblé 2 , no âmbito escolar para assim, debater questões referentes à diversidade étnica, racismo e produção cultural. Desta forma objetivaremos cumprir a proposta da lei educacional 10.639,de 2003 e ao mesmo tempo desconstruir ideologias petrificadas de superioridade e inferioridade de “raças” e suas culturas. A mudança do 1 Doutorando em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Londrina. Faz parte dos grupos de pesquisa sobre afro- descendentes na literatura UFMG e grupo de pesquisa em Literaturas do CESUMAR. E-mail: silvinhoparadiso@hotmail.com 2 Refiro-me ao Candomblé da nação Ketu, nas terminologias usadas. (N. do autor).