A Rainha Nzinga Mbandi: História, Memória e Mito, Lisboa, Edições Colibri, pp. 23ど46 REPRESENTAÇÕES DA RAINHA NJINGA/NZINGA NA LITERATURA ANGOLANA ___________________________________ Inocência Mata * Acima das lembranças dos heróis Ngola Kiluanji Rainha Ginga Todos tentavam erguer bem alto A bandeira da independência. Agostinho Neto (“O içar da bandeira”) Se não é conhecida do grande público angolano, e de língua por- tuguesa, a primeira obra de ficção inspirada na figura da lendária rainha Njinga – Zingha, Reine d’Angola. Histoire Africaine (1769), de Jean-Louis Castilhon 1 –, também não se pode dizer que os escritores angolanos estejam a ver nessa figura da história de Angola, e de Áfri- ca, uma fonte de matéria ficcional, sobretudo tratando-se de uma figura através da qual a história do colonizador começou a construir um discurso de desmerecimento dos Africanos. * Professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e investigadora do Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa. 1 Jean-Louis Castilhon: Zingha, Reine d’Angola. Histoire Africaine. Suivie de Recherches et d’Observations sur la Férocité Naturelle des Giagues, et d’une Relation Exacte de leurs Mœurs, de leurs Coutumes et de la Barbarie de leurs Usages. Éd. Patrick Graille et Laurent Quillerié. Bourges: Ganymède, 1993.