UMA ANÁLISE SW O T DO CONTEXTO C T SS DAS ATIVIDADES LABORATORIAIS DO ENSINO SECUNDÁRIO DOMINIQUE A. OOSTA 1 M . GABRIELA T. O. RIBEIRO 1 '* E ADÉLIO A. S. O. MACHADO 2 Apresenta-se uma metodologia, baseada na análise SWOT, para avaliar atividades laboratoriais com vista a aferir o seu enquadramento na perspetiva Ciência-Tecnologia-Sociedade-Sustentabilidade (CTSS). A ferramenta foi usada na avaliação das atividades laboratoriais propostas nos programas em vigor dos 10° e 11° anos, tendo-se concluído que a adoção de um enquadramento CTSS, como presentemente se impõe para os laboratórios de ensino, exigirá a elaboração e desenho de novas experiências e profundas alterações dos programas atuais. O movimento CTS, "Ciência-Tecno- logia-Sociedade", prescreve que o ensino da ciência e tecnologia deva atender ao contexto cultural, social, económico e político em que as ati- vidades de ciência e tecnologia são desenvolvidas, com vista a propor- cionar aos estudantes formação que lhes permita compreender o impacto da ciência e tecnologia no mundo real, na vida diária e na sociedade, e serem capazes de tomar decisões responsá- veis sobre as variadas questões que, como cidadãos e/ou profissionais, lhes serão postas ao longo da vida nestes campos [1]. O conhecimento científico e tecnológi- co permitiu à Sociedade desenvolver, a partir dos anos sessenta do século XX, com a emersão do moderno Am- bientalismo, uma atitude a favor da conservação do Ambiente. Neste con- texto, o movimento CTS incorporou uma componente ambiental quase logo desde o seu lançamento e, oca- sionalmente, mas nem sempre, foi- -lhe acrescentado o A de "Ambiente" e passou a CTSA, "Ciência, Tecnolo- gia, Sociedade e Ambiente", pelo que as duas designações e siglas tendem a ser usadas indiferenciadamente, como referido numa recente revisão da respetiva literatura [2]. Na situação atual, em que decorre a década da Educação para o De- 1 REQUIMTE, Departamento de Química e Bioquímica da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, R. Campo Alegre, 687, 4169--007 Porto 2 Departamento de Química e Bioquímica da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, R. Campo Alegre, 687, 4169-007 Porto * E-mail: gribeiro@fc.up.pt senvolvimento Sustentável (EDS) da UNESCO (2004-2015) [3] e é cada vez mais importante que a Tecnologia evolua no sentido de contribuir para este [4], do qual é um ingrediente ful- cral, a postura CTS/CTSA deve ad- quirir explicitamente esta componente e evoluir para Ciência-Tecnologia- -Sociedade-Sustentabilidade - o que pede uma sigla alternativa mais ade- quada, CTSS ou, em estilo de fórmula química, CTS 2 . Esta perspetiva para o ensino científico-tecnológico dá ade- quada relevância à Sustentabilidade, que tem de ser conquistada mediante contribuições inovatórias de dois ti- pos: por um lado resultantes, quer da Ciência, quer da Tecnologia, que per- mitam a implementação da Engenha- ria da Sustentabilidade; por outro, de reorganização da Sociedade, median- te alterações do comportamento hu- mano, individual e coletivo, a que os cientistas e tecnólogos devem estar atentos porque podem ser potencia- dos pelo progresso tecnológico. Em suma, o enquadramento do ensino científico-tecnológico no paradigma da Sustentabilidade pressiona que passe a ser feito na postura CTSS. No caso particular da Química, como os produtos químicos são imprescin- díveis para obter qualidade de vida e a sua produção tem de aumentar para eliminar a pobreza química [5], tem de evoluir no sentido de a Química Indus- trial se integrar no Desenvolvimento Sustentável e poder contribuir para este. A evolução requerida significa produzir maiores quantidades de pro- dutos químicos, mas simultaneamen- te propiciar menos poluição, resíduos, etc., e consumir menos recursos na- turais (energia e materiais) - este é o objetivo da Química Verde. Para que o ensino desta possibilite aos alunos uma melhor integração no paradigma da Sustentabilidade, em face do que foi dito acima, parece natural que seja feito no quadro da CTSS. Os atuais programas para o ensino da Física e da Química no ensino Secun- dário referem, na sua apresentação, a opção pela "educação CTS" [6]. Por outro lado, uma análise da verdura das atividades laboratoriais propostas nos programas de Química do ensino secundário realizada anteriormente [7, 8], evidenciou que a maior parte das respetivas experiências apresen- tam uma verdura limitada e que uma fração considerável delas apresen- ta riscos elevados devido ao uso de substâncias perigosas (cerca de 30% das substância usadas). Estes factos levantam a questão de averiguar até que ponto os programas se integram na postura CTSS, um contexto mais atual que CTS. Assim, na sequência do trabalho anterior sobre as ativida- des laboratoriais nos currículos do se- cundário [7, 8], decidiu fazer-se incidir esta avaliação sobre estas atividades. A análise deste objetivo permitiu iden- tificar desde logo duas questões fun- damentais sobre a avaliação (e o de- senho) de experiências laboratoriais: (i) que critérios devem estas ativida- des cumprir para serem adequadas a um ensino CTSS?; e (ii) que metodo- logia pode ser usada para proceder a essa avaliação? Note-se que estas questões são gerais e não apenas vá- lidas para atividades experimentais.