Vasco de Quiroga e a utopia na América Geraldo Witeze Junior 1 Resumo: Este trabalho é o princípio de uma investigação sobre os escritos e projetos que Vasco de Quiroga desenvolveu no México na primeira metade do século XVI. Vasco de Quiroga está inserido no debate sobre a forma que se deveria levar adiante a colonização da América por parte da Espanha e a partir de sua obra pode-se pensar a América como espaço de realização das utopias bem como a formação da modernidade e a construção da Europa como centro do mundo, levando em consideração a colonialidade e o racismo característicos desse momento. Vasco de Quiroga aparece então como chave para a compreensão dessas questões, apesar de sua obra ser pouco conhecida e explorada no Brasil. Palavras-chave: 1. Vasco de Quiroga; 2. Utopia; 3. Utopismo; 4. Colonização. Vasco de Quiroga nasceu na Espanha, em Madrigal de Altas Torres, na província de Ávila, provavelmente em 1470 2 . Pouco se sabe sobre sobre sua infância; teve formação jurídica e atuou na Espanha e no norte da África a serviço da coroa. Em 1530 foi nomeado ouvidor da Segunda Audiencia de Nueva España, onde chegou em janeiro de 1531 e se deparou com os problemas resultantes da conquista. Diante do que viu Quiroga começou a pensar em como organizar os índios para que pudessem sobreviver e também manter ou aceitar a fé cristã. Assim, já em 1531 pôs em prática um experimento: o pueblo-hospital de Santa Fé. Foi o começo de um projeto que se progressivamente se tornou a sua “Utopia na América”. Paz Serrano Gassent (2002, pp. 21-22) nos diz que cuando Quiroga es nombrado oidor de la Segunda Audiencia, tenía ya larga experiencia como jurista, conocimiento de las ideas humanistas ampliamente difundidas en el ambito cortesano en que se movía e interés en la reforma clerical extendida por toda España. A través de su amigo Bernal, consejero de Indias, poseía información sobre la destrucción que la conquista estaba produciendo en las masas a la conversión por obra de la evangelización 1 Doutorando em História pela UFG. Professor da UEG-Jussara. Indigenista especializado na FUNAI. 2 Alguns defendem que o ano de nascimento foi 1478, ou mesmo 1488, mas a interpretação mais comum é 1470 (SERRANO GASSENT, 2002, p. 6).