Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XVII Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sudeste – Ouro Preto - MG – 28 a 30/06/2012 1 Fansubbers em cena: mediação e distribuição de animês em tempos de globalização da cultura Krystal Cortez Luz Urbano 1 Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ RESUMO: Nos últimos anos, as indústrias culturais globais presenciaram uma rápida ascensão da reprodução não-oficial de conteúdo midiático no meio on-line. Através da dedicação e trabalho voluntário de alguns consumidores engajados, viu-se ascender um novo modelo de mediação, organização e distribuição de conteúdo de mídia que mexe com certos padrões pelos quais as atuais indústrias culturais operam no mercado global. O presente trabalho propõe discutir sobre o caso dos fãs-legendadores das séries animadas japonesas – os fansubbers – trazendo as principais características e implicações da atividade colaborativa de tradução e distribuição de animês no meio on-line no fluxo global desse bem cultural. Ao disponibilizarem gratuitamente para outros fãs um repertório vasto de títulos de animês, esses fãs estariam promovendo mudanças significativas na paisagem midiática global. PALAVRAS-CHAVE: globalização; mediascape; animê; cultura participativa; fansubbers. INTRODUÇÃO Nos últimos tempos, a facilidade de acesso e consumo de produtos culturais no meio on-line vêm promovendo mudanças significativas no panorama global dos fluxos dos bens culturais. Sabe-se que, durante décadas, amarras rígidas separaram fãs- consumidores e produtores de bens midiáticos. Em vias formais, caberia à indústria a produção em larga escala da matéria prima cultural e, aos fãs-consumidores, a aquisição e o consumo desses bens culturais. No entanto, com a popularização das tecnologias digitais e conseqüente democratização dos meios de produção, esses fãs-consumidores antes visualizados como “ativos interpretadores de textos midiáticos” (LULL, 1990; MORLEY, 1980), adquiriram um novo status no interior da cadeia mercadológica que envolve a produção cultural globalizada. Esses produsers 2 (BRUNS, 2008) não só saem à “caça” de seus produtos culturais favoritos (De CERTEAU, 1994; JENKINS, 1992) como também oferecem múltiplas mediações através do consumo ativo e afetivo de bens culturais. Essa guinada na posição do fã-consumidor não só possibilitou uma 1 Mestranda em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense. Linha de pesquisa: Estéticas e Tecnologias da Informação. Email: krystal.cortez@gmail.com. 2 Esse novo conceito tenta dar conta de uma realidade em que a palavra produção não é capaz de representar com precisão o contexto atual onde os papéis de produtor e usuário se confundem (BRUNS, 2008).