TECNOLOGIAS VIDEOGRÁFICAS E A COGNIÇÃO INVENTIVA EM SAÚDE MENTAL Fúlvia da Silva Spohr - f.spohr@ig.com.br UFRGS Cleci Maraschin - clecimar@orion.ufrgs.br UFRGS Francilene Rainone - frainone@cpovo.net UFRGS A discussão a qual nos propomos visa elucidar no campo da saúde mental, as condições de possibilidade de emergência de modos singulares de existência de sujeitos com transtornos mentais graves. Para tanto partimos da problematização das formas que constituem o próprio domínio de conhecimento em que se insere a saúde mental e que produz seu olhar à luz da perspectiva social dos estudos cognitivos. Nesse sentido nossa discussão opera também em um plano epistemológico, onde a produção de conhecimento é dependente da rede sócio-cultural que o caracteriza em dado momento. Em um plano teórico, a forma como se produz conhecimento sobre a expressão dos sujeitos e seu modo de estar no mundo, convive com uma pluralidade de formulações teóricas e clínicas que co-habitam tal cenário. Cabe ressaltar que essa produção expressa por determinados pressupostos contemplam regimes que constituem seus domínios e produzem a todo o momento relações individuais e coletivas circunscritas em perspectivas de mundo. Nesse agenciamento as ciências cognitivas compõem um rico contexto de análise, visto que têm produzido ao longo de décadas um amplo espectro de interesses científicos (Dupuy, 1996). A diversidade de disciplinas que se ocupam desse campo de conhecimento sobre o saber humano, pouco tem se perguntado pelo próprio modo de constituição de seu conhecimento. Resultando que dessas produções científicas de domínios tão diversos a elaboração de modelos explicativos fazem função de enunciados universalmente aceitos, naturalizando uma epistemologia constituída na modernidade marcada pelo paradigma representacionista. Os processos cognitivos com os quais algumas correntes da psicologia e das neurociências tem se ocupado, por exemplo, partem particularmente da premissa sobre o modo de constituição da experiência humana, centrada em um mundo e um sujeito cognocente pré-existentes. Estas composições deslizam por diversos reducionismos, como o do centramento na argumentação ora biológica ora somente fenomenológica, descartando as singularidades que insistem em emergir. Assim as regularidades dos processos cognitivos servem de parâmetro ao incremento das bases epistemológicas que delas se ocupam. Com uma extensa constituição da qual é composta o campo de conhecimento das ciências cognitivas, não cabe aqui aprofundarmos tal questão. Apenas apresentarmos um panorama mais amplo de como vem se constituído tal campo, a fim de propormos a partir de então a emergência de estudos da cognição que possibilitem pensar a si e ao mundo por outra via. A perspectiva cognitiva a qual temos buscado trabalhar preconiza a recolocação do próprio problema que a funda. O entendimento da cognição neste sentido marca um paradigma diferenciado daquele que define a cognição através de leis e princípios invariantes anteriores ao próprio processo do conhecer (Kastrup, 2008). A pergunta pelo próprio modo de conhecer produz um giro ontológico sobre o entendimento dos processos cognitivos. Segundo (Passos, 2008) o confronto atual é