CISÕES DE ARTE E URBANISMO – O ESPAÇO URBANO COMO CAMPO PLÁSTICO Camilo Vladimir de Lima Amaral camilo@fav.ufg.br UFG (Universidade Federal de Goiás) Resumo Este texto busca romper a visão cientificista do espaço urbano e a atuação tautológica dos planejadores sobre ele. Para isso, busca uma interligação entre visões transdisciplinares da realidade, passando da teoria da arte, à teoria do espaço e à teoria da sociedade. Não se trata de tentar construir uma ponte entre a cisão histórica da Arte e do Urbanismo, mas, buscar no espaço intersectante desta "cisão", aquela brecha (possibilidade) que é ao mesmo tempo limite, espaço de troca (dialética) e espaço comum entre os dois. Palavras-chave: Arte, Urbanismo, Política, Virtualidade, Estética Abstract This text aims to break the scientistic vision of urban space and the role of planners tautological action on it. For this, it searches a linking transdisciplinary vision of reality through the art theory, the theory of space and the theory of society. It is not meant to (re)build the fissured connection between Art and Urbanism, but, to search inside the intersection space of this "fissure" (a rupture as a possibility) that is at the same time limit, space of (dialectical) exchange, and common space between the two. Keywords: Art, Urbanism, Politics, Virtuality, Aesthetics O Pano de Fundo da Discussão Segundo Leonardo Benévolo (1994) o pretenso urbanismo "científico" irá surgir com a ascensão de Haussmann para a prefeitura de Paris, indicado por Napoleão III, recém eleito pela população após a derrota da revolta (supracitada) e a queda da monarquia. Essa pretensão científica implicará uma ruptura no urbanismo, que abandonará suas pretensões de arte urbana totalizante. Em seu lugar surge a idéia de um urbanismo técnico-setorial e "estetizante", que se diz desvinculado das concepções de mundo (éticas, políticas e sociais). A tendência deste processo vem se agravando no circuito acadêmico do "planejamento urbano" no Brasil, onde as possibilidades da arte na criação das cidades vêm, cada vez mais, sendo associadas com um "desenho urbano". O recente livro de Marcelo Lopes de Souza (2006), muito discutido e citado,