1 As Modernidades Planejadas de Goiânia: a Mobilidade na Fronteira e o Potencial Transmoderno da Condição Goianiense Camilo Vladimir de Lima Amaral O Urbanismo é uma Ciência Social aplicada. Para Choay (1998) o Urbanismo procura se constituir no século XX como uma ciência positiva capaz de transformar a realidade das sociedades no sentido de sua modernização. Em Goiânia, cada um de seus Planos Diretores foi construído a partir de determinadas idéias e determinados pressupostos desta ciência aplicada e, assim, "refundou" diferencialmente a maneira como a cidade era percebida, abriu novas possibilidades para a práxis da produção de seu espaço e interferiu diretamente na forma como as pessoas valorizavam e vivenciavam estes espaços. Neste sentido, o ato de Planejar é, por excelência, uma atitude de "concepção" do espaço social, estabelecendo determinadas "apresentações" da cidade, determinadas abstrações de suas partes, e por isso cada Plano Diretor parte de diferentes "representações" da cidade, e descortina determinadas "virtualidades" (possibilidades) de atuação sobre seu espaço. Por outro lado, cada Plano permanece "cego" a determinadas questões, constitui barreiras contra aquilo mesmo que pretende instalar: a modernidade (entendida como um projeto de libertação social), mantendo parcelas significativas do espaço social fora de suas representações, e dentro de um "campo- cego" que permanece como "resíduo". No século do Alto Modernismo se acreditara poder transformar as sociedades arcaicas, cheias de preconceitos e limitações, em sociedades novas que, regidas pela "razão" verdadeira, realizariam o potencial universal do homem. Esse era o sonho que movia o desejo dos modernistas: a liberdade do homem pela libertação das antigas amarras da tradição. Para Foucault (2005: 335-341), desde a Época das Luzes, a "Modernidade" é o momento em que o homem toma, pela razão, "as rédeas" de sua própria vida, e a transforma a partir de um projeto consciente. A Modernidade seria, nestes termos, um projeto de mundo melhor, que se estabelece numa atitude crítica frente às limitações do presente, que se estabelece a partir do uso consciente dos instrumentos intelectuais disponíveis no intuito de construir o mundo melhor.