71 ECCOM, v. 5, n. 10, jun./dez. 2014 Música Nova, Tropicália e Antropofagia: Ressonâncias Bruno Yukio Meireles Ishisaki Mestrando em Processos Criativos (UNICAMP-2014), Pós-graduando em Língua Portuguesa: Linguagem e Literatura (FATEA-2015). Especialista em Composição Musical (FMCG-2009), Graduado em Música Popular (UNICAMP-2005). Ana Maria dos Santos Latgé Pós-graduanda em Língua Portuguesa: Linguagem e Literatura (FATEA-2015). Graduada em Comunicação Social com Habilitação em Editoração (USP-2010). Resumo Dois dos legados mais importantes de Oswald de Andrade foram seus manifestos: Manifesto da Poesia Pau-Brasil (Correio da Manhã, 1924) e Manifesto Antropófago (Revista de Antropofagia, 1928). As ideias enunciadas em ambos foram assimiladas e reconstruídas em movimentos artísticos posteriores, não só na literatura, mas também na música. Neste artigo, apresentamos a presença da Antropofagia de Oswald no movimento Música Nova, e como o texto original, assimilado a esta releitura, seria posteriormente apoderado pela Tropicália. A fundamentação da análise textual teve como base teórica conceitos trabalhados na obra Introdução à linguística, de José Luiz Fiorin. Palavras-chave Antropofagia; Música Nova; Tropicália. Abstract Two of the most important legacies of Oswald de Andrade were their manifestos: Manifesto da Poesia Pau-Brazil (Morning Post, 1924) and Manifest Eating (Magazine Antropofagia, 1928). The ideas contained in both assimilated and were rebuilt in later artistic movements, not only in literature but also in music. Here we report the presence of Antropofagia Oswald in New Music movement, and how the original text, assimilated to this rereading was later seized by the Tropicália. The rationale of textual analysis was theoretically based concepts used in the work Introduction to linguistics, José Luiz Fiorin. Keywords Cannibalism; New Music; Tropicália. Manifesto da Poesia Pau-Brasil e Manifesto Antropofágico Nesta seção, abordaremos os manifestos de Oswald de Andrade na questão do nível discursivo, ou seja, quanto à semântica e à estilística textual. Lançados na década de 1920, os dois manifestos versam sobre conteúdo similar: a cultura da época e, de maneira mais ampla, a forma como os brasileiros percebiam esta cultura, segundo Oswald de Andrade. Era uma discussão pertinente à época: período “entre guerras”, com uma atmosfera mundial de desilusão pela luta e pela grande depressão e, paradoxalmente, com uma ânsia por um futuro novo e melhorado advindo principalmente das novas conquistas tecnológicas (em