JUVENTUDES NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: PERCURSOS E PERSPECTIVAS Andressa Christina Trevizan Camila Bomfim Luciana Dias Luciana Lima A QUESTÃO DAS JUVENTUDES NO BRASIL: QUEM SÃO? Durante décadas a compreensão do que seria esta parcela da população descrita como juventude se deu através de contornos não definidos e pouco explorados, o que dificulta o pensar sobre o assunto e a elaboração de estratégias e ações para este público. Entre a rebeldia e o ativismo iniciados na década de 1960 e a consideração da apatia juvenil e exclusão dos anos 1990, até a intencionalidade do protagonismo e inserção social nos anos 2000, visualizamos as diversas concepções do que é ser jovem para governantes e sociedade, que influenciaram diretamente nas políticas públicas realizadas nos diversos tempos históricos. Referir-se à juventude implica entender primeiramente como surgiu essa categoria social. Assim, de acordo com Carrano (2007), essa classificação surge na década de 1950 a partir de algumas condições históricas, políticas, econômicas e culturais específicas daquele momento. O pós-guerra foi determinante para uma nova ordem internacional, geográfica e politicamente redesenhada, pois foram implantados novos estilos de vida e de valores. Ainda, Carrano (2007) aponta, com base nas concepções de Reguillo, três aspectos que contribuem para a delimitação e compreensão sobre o mundo juvenil: as inovações tecnológicas e suas repercussões na sociedade, que melhoram a qualidade de vida e possibilitam que as pessoas permaneçam mais tempo na escola; a oferta de consumo cultural (através da indústria cultural); e as políticas de controle dos jovens, visto como um ser carente e vulnerável, em risco social. O Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990 (ECA – Lei Federal nº 8.069) é fruto desta discussão sobre a condição de crianças e adolescentes. São atendidos pelo estatuto crianças e adolescentes em idades delimitadas: crianças de 0 a 12 anos e adolescentes de 12 a 18 anos. No ECA não é tratada a condição juvenil. Sobre esta questão, observamos que na década de 1990 a condição juvenil era marcada por uma delimitação que indicava que a juventude estava diretamente associada a uma condição de risco, e o intuito era desenvolver nestes agentes atitudes de protagonismo e inserção ou reinserção na sociedade, de forma ativa. A partir de 2005 a juventude brasileira é compreendida por pessoas de 15 a 29 anos. A questão etária não é um fator único para a delimitação do que seriam as juventudes, questões de gênero, sexualidade, classe social, raça, escolaridade também interferem nesta delimitação. Para Arroyo (2007), jovens e adultos populares são observados pela sociedade de forma extremamente negativa, associados à violência, que passa a ser uma nova categoria segregadora e classificatória: “A própria violência é diferente quando é violência de pobre ou quando é violência de rico. Ricos merecem um psicólogo para entendê-los, os pobres merecem polícia, camburão, ou eliminá-los para que não voltem a ser violentos.” (ARROYO, 2007, p. 15-16). Nestas diferenças estão inseridas também as questões voltadas ao acesso ao trabalho. Os jovens das classes mais populares veem no trabalho uma forma de liberdade e inserção social e, devido a isso, acabam abandonando a escola antes dos jovens de classes mais favorecidas que buscam nos estudos ascensão social. As questões gênero e raça também influenciam em se pensar as juventudes e quais políticas oferecer a esta população. Gravidez juvenil, a experimentação da