Impacto da política de educação inclusiva na saúde mental dos educadores Autores: Augusto Dutra Galery augusto@psicossocial.com.br Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo / Instituto Rodrigo Mendes Av. Dona Cherubina Viana 1697, Granja Viana - CEP: 06708-360 Cotia SP Natália Cristina Ribeiro Alves alvesnatalia@usp.br Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo / Centro Universitário Una R. Benvinda de Carvalho, 106/102, Santo Antônio - CEP: 30.330-180 Belo Horizonte MG Resumo Em 2008, foi promulgada a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. A principal mudança introduzida foi a obrigatoriedade da matrícula de crianças com deficiência nas escolas regulares. Em estudo anterior, pudemos constatar como modificações na política pública educacional tem impacto sobre o sofrimento mental do educador, mesmo quando bem intencionadas. A educação inclusiva, além disso, traz para dentro de sala o excluído, o "anormal", forçando os educadores a lidar com seus próprios fantasmas e preconceitos. Depoimentos de professores, gestores escolares e secretarias de educação apontam para mudanças na organização do trabalho, para o temor diante do despreparo para atuar com esse público, levando, assim, a um aumento da carga psíquica do trabalho. Em dois estudos de caso realizados, no entanto, pudemos perceber como a formação de alianças entre as pessoas que compõem a comunidade escolar tornam possível uma sensação de proteção do grupo ao indivíduo e reintroduzem a dimensão do projeto comum do grupo, possibilitando ao mesmo tempo o diminuir do sofrimento mental e a atuação inclusiva das escolas. Palavras-chave Educação Inclusiva; Carga Psíquica; Alianças; Projeto Comum Introdução o movimento pela educação inclusiva no Brasil Há algum tempo já vimos estudando os três paradigmas que norteiam a forma de inserção da pessoa com deficiência na sociedade. Em artigo anterior (Alves & Galery, 2007, pp. 9-10),