XVII S IMPÓSIO N ACIONAL DE E NSINO DE F ÍSICA 1 PERCEPÇÕES DE JOVENS E ADULTOS SURDOS ACERCA DE SUAS VIVÊNCIAS ESCOLARES Salete de Souza a [saletedaleves@yahoo.com.br] Tatiana Bolivar Lebedeff b [lebedeff@upf.tche.br] Vania Elisabeth Barlette a [barlette@unifra.br] a Centro Universitário Franciscano, Santa Maria, RS b Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo, RS RESUMO Este trabalho é parte integrante de uma dissertação de mestrado em ensino de Física e apresenta resultados sobre um estudo inicial que objetiva identificar aspectos apontados por jovens e adultos surdos acerca de suas vivências escolares. Participaram desta pesquisa 5 jovens e adultos surdos do Núcleo Estadual de Ensino de Jovens e Adultos (NEEJA), e 3 jovens e adultos surdos que freqüentam uma oficina oferecida pela Associação de Pais e Amigos dos Surdos (APAS), da cidade de Passo Fundo, RS. Foi aplicado um questionário anônimo, coletivamente em sala de aula, entre os dias 14 e 15 de setembro de 2006, contendo 12 perguntas abertas que buscaram explorar opiniões e sentimentos dos jovens e adultos quanto às suas vivências escolares. A análise de conteúdo foi utilizada para a análise das questões. Durante a aplicação do questionário, houve auxílio da intérprete. As análises foram feitas considerando as seguintes situações: um grupo formado por 4 jovens e adultos surdos (Grupo 1) que tiveram sua formação sempre em classes só de surdos, em escolas de ouvintes e surdos, com professores que trabalham com LIBRAS (surdos ou não); um grupo formado por 2 jovens e adultos surdos (Grupo 2) que sempre freqüe ntaram classes regulares (com ouvintes), em escolas de ouvintes e surdos, com professores sem conhecimento de LIBRAS e sem intérprete; um grupo formado por 2 jovens e adultos surdos (Grupo 3) que vivenciaram as duas experiências, em escolas de ouvintes e surdos, com professor que utiliza LIBRAS ou que tem a assistência de uma intérprete, e com professor Oralista sem a assistência de intérprete. As análises reportadas dizem respeito aos depoimentos dados pelos jovens e adultos surdos quanto (i) ao relacionamento e à comunicação entre eles e seus colegas ouvintes e professores, (ii) método de ensino, (iii) do que gostam e do que não gostam na sala da aula, e (iv) sobre o aprender e o aprender Física. Palavras-chave : Surdos, Escola inclusiva, Ensino de Física. INTRODUÇÃO Estamos vivendo uma época em que as pessoas com deficiência, bem como outras minorias, estão se organizando e lutam para conquistar o direito à cidadania que historicamente lhes foi negado. As ações no campo político referente à Educação Especial vem se desenvolvendo a nível mundial, desde a Declaração de Salamanca, de 1994, a qual estabelece como princípio norteador a inclusão nas escolas de todas as crianças, com suas diferenças, sejam físicas, sociais, lingüísticas, ou outras. No Brasil, é somente com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996, que reserva um capítulo exclusivo para a Educação Especial, que este princípio aparece sob a forma de direito à educação, pública e gratuita, às pessoas com necessidades educacionais especiais. Apesar do direito ao acesso às classes regulares de ensino declarado por esta Lei, é somente em