ANÁLISE DA COMPREENSÃO TEXTUAL DE SURDOS ADULTOS DE TEXTOS EM LÍNGUA DE SINAIS E ESCRITOS. LEBEDEFF, Tatiana Bolivar – UPF GT: Educação Especial Agência Financiadora: não contou com financiamento O surdo tem sido visto como mau leitor há muito tempo (Mendes, 1994, Almeida, 2000), visto que o domínio que alcança da língua escrita costuma ser bastante rudimentar (Sánchez, 1995). Mendes (1994) e Almeida (2000) salientam que as pesquisas que relacionam leitura e surdez apontam a falta de domínio da língua (a língua oral) como um dos grandes problemas para as dificuldades de leitura. Entretanto, Sánchez (1994) ressalta que, até meados do século XIX, na França e em outros países europeus, assim como nos EUA, um grande número de professores de escolas de surdos era surdo e também leitor, sendo, dessa forma, capaz de ensinar a ler e escrever a seus alunos (em língua de sinais). Skliar (1999) cita dados de 1995, da Federação mundial dos Surdos, segundo os quais aproximadamente 80% da população mundial de surdos não recebe nenhuma educação básica, situação agravada em países do Terceiro Mundo. Com relação a essa situação, Freire (1999) comenta que no Brasil é incontestável o atraso da escolaridade dos surdos em relação a aprendizes ouvintes em todos os componentes do currículo escolar. Além disso, é enorme a evasão escolar de alunos surdos em razão do desafio de terem de aprender conteúdos em uma língua, o português, que eles, em sua maioria, não dominam. Essa “defasagem” de leitura dos surdos, ligada historicamente às práticas pedagógicas exercidas nas escolas, é preocupante. A sociedade moderna, de acordo com Santos (1999), é essencialmente grafocêntrica, atribuindo à leitura o poder de acessar as classes dominantes. As dificuldades de leitura dos surdos tornam-se, então, um empecilho tanto para essa ascensão como para uma participação mais ativa na sociedade. Sánchez (1994) comenta que, para adquirir o domínio da língua escrita, é imprescindível a existência de um ambiente de leitura no qual as crianças estejam imersas, participando nos eventos de leitura e escrita, compartilhando a língua escrita como uma