1 Anais do VIII Congresso de Ecologia do Brasil, 23 a 28 de Setembro de 2007, Caxambu - MG AVALIAÇÃO DA MANUTENÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS DOS LAGOS DO MÉDIO RIO DOCE Roberta Ferreira Miranda; Anderson Oliveira Latini; Kariny Barroso; Maíra Morais Moreira Curso de Ciências Biológicas, Centro Universitário do Leste de Minas Gerais - UnilesteMG.Av. Bárbara Heliodora, 725, Ipatinga, MG, 35160-215. INTRODUÇÃO Atualmente três componentes principais são responsáveis pelas alterações nos ecossistemas do planeta: a fragmentação dos habitats, a mudança climática e a invasão de espécies exóticas (Pimentel et al., 2001). A fragmentação dos habitats naturais tem efeitos diretos sobre a manutenção da diversidade e sobre a manutenção de recursos hídricos (MMA/SBF, 2000). No trecho médio da bacia do rio Doce ocorre um conjunto lacustre com cerca de 140 lagos naturais formados entre 4 e 10 mil anos atrás. Este conjunto lacustre representa um ambiente único no país e se encontra no Bioma de Floresta Atlântica que é considerado uma das mais importantes regiões para a conservação da biodiversidade em todo o mundo (Myers et al., 2000). O objetivo deste estudo foi determinar se o volume de água dos lagos do médio rio Doce está se reduzindo nos últimos anos. Para alcançarmos o objetivo, testamos as seguintes hipóteses: i) há uma redução de volume dos lagos nos últimos anos; ii) a redução é maior em lagos mais dendríticos; iii) em lagos de áreas de cultivo de eucalipto quando comparada com lagos em áreas naturais a redução é maior; iv) a redução de volume é maior em lagos menores e, por último; v) a redução de volume (nos intervalos de anos em que ocorreu) se deve à precipitação pluviométrica. MATERIAL E MÉTODOS Dos pouco mais de 50 lagos estudados, 16 lagos foram usados nas análises porque foram os únicos visíveis nas imagens de satélite nos anos de 1977, 1979, 1981, 2000 e 2005. Destes 16, 7 estão na área da Companhia Agrícola Florestal (CAF) e 9 no Parque Estadual do Rio Doce (PERD). Para cada lago, medimos o perímetro, a área e produzimos um índice de forma que avalia o grau de irregularidade morfométrica dos lagos e como indicador de volume, utilizamos à área dos lagos. Para compararmos o volume dos lagos, utilizamos análises de variância com medidas repetidas no tempo (cada aferição do mesmo lago) e para a decisão estatística, utilizamos o nível de significância de 5%. RESULTADOS E DISCUSSÃO Identificamos que não houve alteração no volume dos lagos ao longo do tempo (F=1,702; p=0,162) e que a redução de volume não ocorreu em lagos de quaisquer das áreas estudadas, isoladamente e também não houve diferença de resposta deste volume quando consideradas as regiões distintas do PERD e da CAF (F=0,512; p=0,485). Os lagos da região do Médio Rio Doce não apresentam, na escala de tempo estudada, uma redução de volume detectável. Alguns lagos têm o seu volume reduzindo em pequena escala temporal, o que deve se dar em função de causas isoladas, não atingindo todo o sistema, então a biodiversidade associada a estes lagos pode estar comprometida. A manutenção dos recursos hídricos de modo conservado é, portanto, fundamental para garantir suprimento de água para o desenvolvimento de atividades econômicas ou de subsistência, além de garantir suprimento de água para manutenção da biodiversidade à mesma associada (Esteves, 1988; Hauer & Lamberti, 1996). O estudo destes lagos específicos se faz então, importante para a área da geologia com estudos de gênese e sucessão destes lagos específicos. Se o sistema lacustre não está reduzindo em termos de volume, então, temos uma boa noticia para a conservação da biodiversidade a lagos associada, pelo menos no tempo ecológico. CONCLUSÃO Ao contrário do que esperávamos, não está ocorrendo, no tempo ecológico, uma redução do volume dos lagos da região e, portanto, a manutenção da diversidade a eles associada, e o