APRENDIZAGENS DA RELATIVIDADE: AS EXPERIÊNCIAS QUÍMICAS DE MATIAS AIRES Luís Manuel A. V. Bernardo' O conceito de relatividade admite dois grandes sentidos, os quais, para a respectiva compreensão, deverão ser difraccionados pelo prisma dos planos de efectuação e dominância, ontolôgico, ético, gnosiológico, metafísico: um, lato, que corresponde a estar em relação, ser relacionado, ser perspectivado, etc, e, outro, estrito, estabelecido no campo da Física. Constantemente em acção na história do pensamento, porquanto conota um processo típico da racionalidade, o de estabelecer relações, funcionou no interior de sistemas complexos, assumindo maior ou menor destaque, permitindo uma aproxi- mação a determinadas categorias, mas só a partir da modemidade se toma num centro de discursividade com potencial para determinar uma orientação epistemológica global, uma configuração determinada do saber, um programa de investigação, e suscitar a designação de uma teoria com o estatuto de concepção do mundo. Podemos apreender devidamente esta alteração se tiver- mos em conta como aparecia em Aristóteles sujeita à prevalência da substân- cia, enquanto, a admitir-se, hoje, a validade da categoria da substância será, inevitavelmente, como resultado da relação. Todavia, a diferença mais signifi- cativa está dada na própria linguagem pela substituição da relação pela relati- vidade, ou seja, pela valorização de uma modalidade de uma modalidade. Para melhor entendermos a centralidade que a relatividade detém na dis- cursividade contemporânea, não só científica, mas, igualmente, quotidiana, há que ponderar três processos que se vão recortando ao longo da Modemidade: * Dep. de Filosofia. Revista da Faculdade de Sociais e Humanas, n." 19, Lisboa, Edições Colibri, 2007, pp. 127-143.