O Paradigma da Gestão de Conhecimento: uma Questão de Enquadramento à Cultura Organizacional Tereza Raquel Merlo* em 1 Fev 2005 cultura_organizacional gestão_de_conhecimento Este trabalho aborda a questão da gestão do conhecimento como resultado de um novo paradigma organizacional que prevê maior valorização do indivíduo e sua capacidade em gerar inovação, produtividade e inteligência. Seu objetivo principal reside em demonstrar a relação desse novo processo de administrar a informação com a cultura da organização, da qual depende, fortemente, para o cumprimento de sua função de compartilhamento do saber. É realizada investigação de algumas variáveis relacionadas à implementação de proposta de gestão de informação e conhecimento, partindo de uma revisão de literatura e reflexões acerca da temática. Finalmente, são apontados alguns fatores intervenientes, relacionados à cultura organizacional, entendidos como decisivos na consecução ou entrave de programas que visem compartilhamento e democratização de informações, através de estímulo à aprendizagem corporativa. Introdução Dentre múltiplos discursos, considerações e teorias acerca da Gestão do Conhecimento, pesquisadores, especialistas, empresários, curiosos e afins, deparam-se com um modelo de gestão, por vezes controverso entre sua idealização e aplicação. Em meio a abordagens simplistas decorrentes, algumas demonstrações comprovam a validade e, mais que isso, a relevância dessa proposta, por alguns, considerada nova, mas, ao contrário, referente a algo basilar na construção da própria sociedade. A impressão de tratar-se de algo novo, revolucionário e reestruturador das direções e parâmetros organizacionais, apenas conduz a uma vasta literatura, uma impressionante coleção de obras que tratam da temática. Aqui, refere-se não somente ao material bibliográfico, como, sobretudo, àquele de natureza virtual disponível nas bases de dados e na rede mundial de computadores, evidenciando um aquecimento no interesse, nas reflexões e práticas que conduzem à Gestão do Conhecimento. Apesar de não se tratar de um tema novo, torna inovador o desenvolvimento de processos nas organizações e na sociedade como um todo. Falar de informação, de conhecimento, é falar de humanidade, de vida, de ser humano, à medida que o homem lida com tais questões desde sua origem, ainda no período primitivo, com as pinturas rupestres, com os pré-socráticos, com a cultura milenar e assim por diante. Desde sempre, evidencia-se sua preocupação em registrar e transmitir sensações, percepções, acontecimentos, tudo o que lhe diz respeito individual e coletivamente, enfim, o registro de sua história. Em todos os segmentos, as organizações sempre tiveram, e continuam tendo, mecanismos de construção, desenvolvimento e manutenção da sua memória, bem como da transmissão e compartilhamento de suas práticas, conhecimentos e competências e/ou habilidades, através de