71 Volume 8 Número 2 Dezembro 2012 Correferência anafórica: Representação, Aquisição e Processamento OLIVEIRA, Rosana Costa de; LEITÃO, Márcio Martins; HENRIQUE, Judithe Genuíno. A inluência dos antecedentes vinculados e não vinculados no processamento da anáfora “a si mesmo(a)” . Revista LinguíStica / Revista do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Volume 8, número 2, dezembro de 2012. ISSN 1808-835X 1. [http://www.letras. ufrj.br/poslinguistica/revistalinguistica] A INFLUÊNCIA DOS ANTECEDENTES VINCULADOS E NÃO VINCULADOS NO PROCESSAMENTO DA ANÁFORA “A SI MESMO(A)” Rosana Costa de Oliveira (UFPB) Márcio Martins Leitão (UFPB) Judithe Genuíno Henrique (UFPB) RESUMO Este trabalho buscou investigar como os indivíduos processam a anáfora “a si mesmo(a)” dentro do escopo estrutural da sentença. Veriicamos a existência de poucos estudos em português sobre processamento on-line que têm investigado a atuação dos princípios estruturais da Teoria da Ligação para explicar a resolução da correferência de anáforas (pronomes relexivos) durante a compreensão das sentenças. Utilizando a técnica de leitura automonitorada, examinou-se o tempo de leitura da anáfora a si mesmo(a) a qual precede um antecedente gramatical e um agramatical em termos da Teoria da Ligação (Chomsky, 1981, 1986). Os primeiros resultados obtidos neste estudo nos mostram que apenas os antecedentes disponíveis estruturalmente, seguindo a Teoria da Ligação, são considerados como possibilidades prováveis da anáfora (Nicol & Swinney, 1989). PALAVRAS-CHAVE: Teoria da Ligação; Processamento; Anáfora; Princípio A. INTRODUÇÃO A resolução da referência é afetada pela gramática via Teoria da Ligação (Bindig Theory, Chomsky, 1981, 1986). Fatores sintáticos deinem as restrições que permitem a identiicação de antecedentes gramaticais para pronomes, relexivos e expressões referenciais. A pesquisa feita neste artigo tem como foco investigar a inluência da Teoria da Ligação nas relações correferenciais de processamento anafórico estabelecido pelos falantes nativos do português brasileiro (PB). Esta teoria postula que as anáforas devem ser ligadas em certo domínio de vinculação, sendo o domínio da anáfora a oração mínima que contém a anáfora e seu sujeito. Entre os estudos de processamento existentes que têm investigado a atuação dos princípios estruturais para explicar a resolução da correferência durante a compreensão das sentenças, há alguns pontos conlitantes em relação a como os indivíduos utilizam a informação estrutural durante essa resolução. Alguns estudos postulam que apenas os antecedentes disponíveis estruturalmente inluenciam a resolução da correferência em termos de processamento (Nicol & Swinney, 1989). Já outros, mais recentes, postulam que tanto os antecedentes disponíveis