127 Revista Pós Ciências Sociais - São Luís, v. 4, n. 8, jul./dez. 2007 RESENHAS A construção social das relações mercantis Cristiano Fonseca Monteiro* STEINER, Philippe. A Sociologia Econômica. São Paulo: Atlas, 2006. *Escola de Ciências Humanas e Sociais de Volta Redonda/Universidade Federal Fluminense. Um pouco tardiamente, começam a surgir no Brasil traduções de livros dedicados à Sociologia Econômica. Originalmente publicado na França em 1999, o livro de Philippe Steiner se soma a outros volumes – nos quais se destacam periódicos nacionais com números especiais sobre o tema – que vêm contribuin- do para a formação de uma bibliografia em português sobre este que é um dos principais campos em ascensão na Sociologia em nível mundial. Passado um primeiro momento em que grupos mais restritos de pesquisadores brasileiros empreenderam um notável esforço de leitura e sistematização dos avanços teó- ricos da Sociologia Econômica internacional, incorporando-os à agenda de pes- quisa do país, é chegada a hora de expandir o universo de leitores e interlocutores, tarefa que o livro de Steiner se propõe a cumprir. O texto segue um roteiro de exposição não muito distinto de outros livros e artigos de introdução da área, a começar por explicitar sua raison d’être: questionar a visão dicotômica segundo a qual o mundo econômico estaria se- parado do mundo social. Esta visão, que afirma, por exemplo, que “a bolsa de valores é um assunto econômico”, enquanto “a pobreza é um tema social”, sugere que estas esferas seriam regidas por lógicas de funcionamento distintas e, de certa forma, inconciliáveis. A abordagem da Sociologia Econômica se esforça justamente em demonstrar que o mundo econômico é um tipo especí- fico de mundo social, sujeito, portanto, às mesmas formas de reprodução e/ou transformação de outras esferas. Por trás desta dicotomia está a consagração da teoria marginalista que, no final do século XIX, se impôs sobre outras orientações de cunho mais histórico