Caderno PREMISSAS nº 11, dezembro de 1995. Geopolítica e Relações Internacionais * Shiguenoli Miyamoto ** O final da Segunda Guerra viu despontar duas potências que, ao longo de 40 anos, dominariam o cenário internacional. Países com modelos políticos e econômicos distintos e ideologicamente colocados em pólos opostos exercitaram neste período políticas de poder vigorosas, não abrindo mão, em nenhuma oportunidade, de mostrar quem era hegemônico em cada um dos grupos constituídos à sua volta. De um lado, a liderança exercida foi apoiada nos conceitos tradicionais de liberalismo no caso norte-americano; e, de outro, a aglutinação em torno do bloco soviético foi marcada pela administração altamente centralizada do governo moscovita. Apesar das diferenças de modelos econômicos, políticos e ideológicos, ambos os líderes, hegemônicos incontestes em seus blocos, apresentavam uma característica comum: além da necessidade de proteger suas áreas de influências acordadas nos Tratados de Yalta e de Potsdam, a vocação para ampliar em escala cada vez maior os valores de cada modelo no resto do mundo. Tal política se verificava não apenas no continente africano – que iniciava então a ruptura dos grilhões que o acorrentava aos * Texto enviado para publicação em setembro de 1995. ** Professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp e coordenador associado do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp.