Burns et al. 2006 Biociências 4(1) Primeiro registro de ocorrência do mexilhão dourado Limnoperna fortunei (Dunker, 1857) na bacia de drenagem da Lagoa Mirim, RS, Brasil. Marcelo Dias de Mattos Burns 1 , Ricardo Marcelo Geraldi 1 , Alexandre Miranda Garcia 1 , Carlos Emílio Bemvenuti 2 , Ricardo Roberto Capitoli 2 , João Paes Vieira 1 1 Laboratório de Ictiologia; 2 Laboratório de Ecologia de Invertebrados Bentônicos, Departamento de Oceanografia, Fundação Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Campus Carreiros. Av. Itália, Km 8, s/n o . Cx. Postal 474 Cep: 96.201.900 Rio Grande-RS. E-mail: burnsmdm@hotmail.com.br O mexilhão dourado Limnoperna fortunei, originário do sudeste asiático, foi registrado na América do Sul pela primeira vez no rio da Prata, Argentina, em 1991 (PASTORINO et al., 1993). No Brasil, essa espécie foi registrada em 1998, no Pantanal Mato-Grossense (OLIVEIRA, 2003) e no sistema da Lagoa dos Patos (MANSUR et al., 1999; 2003). Posteriormente sua ocorrência e distribuição ampliou-se para diversos sistemas de drenagem como o rio Paraná (BOLTOVSKOY; CATALDO, 1999) e a Lagoa dos Patos, tanto nas porções norte e central (MANSUR et al., 2003) bem como no extremo sul (CAPÍTOLI; BEMVENUTI, 2004). Sua dispersão no ambiente natural está geralmente associada ao trânsito de embarcações. Na porção sul da Lagoa dos Patos, sua ocorrência e distribuição vem sendo registrada desde 2001 em diversos ambientes como a região estuarina da laguna, o Rio Pelotas e a porção estuarina do Canal São Gonçalo. Apesar da ausência de registros de sua presença ao sul da Barragem Eclusa, em direção à Lagoa Mirim, o risco iminente da invasão desta região foi mencionado (CAPÍTOLI; BEMVENUTI, 2004). Desde dezembro de 2004, o Laboratório de Ictiologia (FURG) realiza amostragens mensais no Canal São Gonçalo, utilizando diversos artefatos de coleta. Nos meses de janeiro e maio de 2005, foram realizados arrastos de fundo na porção límnica do Canal, abrangendo uma extensão de 8km de distância da Barragem Eclusa, em profundidades variando entre 5 a 8m (Fig. 1). Foram encontrados sete exemplares de L. 1