Educação indígena: ensino de língua étnica, metodo- logia intercultural e algumas reflexões Caroline Pereira de Oliveira * ntrodução Este artigo tem como intuito fazer uma reflexão sobre as atividades pedagógicas propostas em uma escola indígena de uma comunidade karajá acerca do ensino de língua Karajá. A comunidade em questão encontra-se na Ilha do Bananal — TO, na Aldeia Santa Isabel do Morro, aldeia esta considerada como sendo uma das maiores ao longo do Rio Araguaia. A pesquisa foi realizada em campo, durante a Etapa em Terras Indígenas da Licenciatura Intercultural Indígena da Universidade Fede- ral de Goiás, no período de 23 de abril a 1º de maio de 2008, tendo o apoio da Secretaria de Educação do Estado do Tocantins, da FUNAI e da Universidade Federal de Goiás. Durante essa etapa, além de Santa Isabel do Morro, outras cinco aldeias foram visitadas: Fontoura, São Domingos, Itxalá, Majtyri e Macaúba, todas elas dispostas ao longo do Rio Araguaia. Ao longo de minha participação como professora no curso de Licenciatura Intercultural, muito discuti com meus alunos, durante suas etapas presenciais na Universidade Federal de Goiás, tanto a importân- cia bem como a maneira que a língua Karajá é ensinada nas escolas indígenas dentro das comunidades. Algumas questões foram levantadas, como a dificuldade de se resgatar, em sala de aula, os valores culturais e a própria língua, uma vez que há nestas comunidades o crescente * Mestranda em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás (UFG). I