1 Texto Massorético Edson de Faria Francisco. São Bernardo do Campo, abril de 2008. 1. Introdução A designação “Texto Massorético” (lat. Textus Masoreticus; hebr. hrO wsG o ma h xG a s… n, nussa ham-māsôrâ, texto da massorá), é uma expressão criada e utilizada pelo mundo acadêmico. Tal denominação refere-se a um grupo de manuscritos hebraicos da Bíblia, datados desde os primeiros séculos da Idade Média, sendo que todos apresentam notáveis semelhanças entre si. Esses documentos possuem um padrão elevado de uniformidade textual devido ao trabalho consistente e meticuloso dos escribas judeus do período medieval, conhecidos como massoretas, que elaboraram um rígido sistema de preservação e de transmissão do texto da Bíblia Hebraica, sem corrupções e alterações significativas. Todas as edições impressas da Bíblia Hebraica, como também as traduções moder- nas, são baseadas no Texto Massorético. Sua estrutura consonantal remonta ao período do Segundo Templo (c. 520 a.C.-70 d.C.) e, desde 100, aproximadamente, todas as comunida- des judaicas adotaram-no como a forma textual definitiva e oficial das Sagradas Escrituras hebraicas. O texto bíblico hebraico, tanto de judeus como de cristãos, baseia-se no Texto Massorético estabelecido desde muitos séculos pelos escribas judeus na época antiga e, mais tarde, pelos massoretas durante o período medieval. O Texto Massorético é composto pelos seguintes cinco componentes textuais esta- belecidos pelos massoretas: A estrutura consonantal. Os elementos paratextuais ou ortografias irregulares. A vocalização massorética. A acentuação massorética. As anotações massoréticas (a massorá). 2. Texto Protomassorético e Texto Massorético O surgimento da estrutura consonantal do Texto Massorético remonta ao período do Segundo Templo e a sua aceitação canônica deu-se por volta de 100 pelo judaísmo rabí- nico e por todas as comunidades judaicas, tanto as de Israel quanto as da diáspora. Possi- velmente, o sínodo de Iabne (Jâmnia), realizado por volta de 90, liderado pelos rabinos como João ben Zakai (rav Yohanan ben Zakay), entre outros representantes do ramo fari- saico, contribuísse de modo decisivo e praticamente definitivo para tal aceitação. Os fari- seus foram o único grupo religioso judaico sobrevivente após 70, que manteve a liderança dentro do judaísmo desse período em diante. O texto consonantal do Texto Massorético anterior à época dos massoretas recebe a denominação de “Texto Protomassorético” ou de “Texto Protorabínico”, o qual não continha ainda a vocalização, a acentuação e o aparato massorético desenvolvidos somente durante a Idade Média. O Texto Protomassorético (hebr. yi t‡ rO ws¸ m-£fi d¸ q X¸ qe X, eqsǝṭ qǝḏam- mǝsôrāṯî, Texto Protomassorético) é um dos tipos textuais da Bíblia Hebraica utilizados pe- los judeus durante o período do Segundo Templo, ao lado de outras formas textuais usadas e transmitidas nessa época. Tal texto bíblico, preservado e transmitido pelos escribas judeus da época do Segundo Templo, foi a base e a origem do Texto Massorético desenvolvido pelos massoretas. O Texto Protomassorético foi, provavelmente, o preferido pelos fariseus e pelos círculos de escribas do templo de Jerusalém, que o copiaram constantemente duran- te séculos. Alguns estudiosos acreditam que esta forma textual foi a que teve melhor trans-