RÓNAI: REVISTA DE ESTUDOS CLÁSSICOS E TRADUTÓRIOS – 2013 V1.N1 pp. 1- 15 - UFJF – JUIZ DE FORA 1 Aspectos da religiosidade em Platão: eusébeia, asébia, hósios e anósios Priscilla Leite * RESUMO: A religiosidade aparece com frequência nas obras platônicas, sendo uma delas o diálogo Êutifron, dedicada à definição do sentimento religioso. Este artigo tem o objetivo de analisar de forma breve e geral o lugar que os termos eusébeia, asébia, hósios e anósios ocupam no pensamento platônico, buscando entender o seu uso desigual no conjunto da obra, já que hósios e seus derivados aparecem 148 vezes, enquanto que eusébeia apenas 7. Palavras - chave: Platão; religiosidade grega; Êutifron; Leis; República. Platão teve um papel decisivo para a formação do pensamento ocidental, exercendo influência em várias áreas do conhecimento humano como na filosofia, pela criação do “idealismo”. Já na educação, foi responsável pela criação das bases para o futuro quadrivium. Na literatura, a criação do diálogo filosófico marcou profundamente as gerações posteriores. Já na linguagem, sua maior contribuição foi na criação e fixação de um vocabulário filosófico. Por fim, no campo religioso, forneceu uma orientação às doutrinas escatológicas e ao misticismo (PEREIRA, 2006, 496-497). Sobre esse último aspecto, várias referências à religiosidade são encontradas nas obras de Platão. Duas delas são dedicadas totalmente a essa questão. Uma é Êutifron, que é a discussão acerca do significado do termo hósios, que indica o comportamento correto devido aos deuses no vocabulário grego. A outra é Segundo Alcibíades, que trata da maneira pela qual os homens devem se dirigir aos deuses. O tema da religiosidade também aparece na Apologia de Sócrates. A obra apresenta um suposto discurso proferido por Sócrates para se defender no tribunal da acusação de impiedade. Segundo André Malta (2008, 15), na realidade a Apologia de Sócrates é composta por três textos distintos: o texto da defesa, o da proposição de uma pena diante do veredicto condenatório e o que tece considerações finais abordando o sentido da morte. No diálogo Protágoras, a temática da religiosidade é novamente * Priscilla Gontijo Leite, doutoranda em Mundo Antigo pela Universidade de Coimbra.