Antiprovérbio Para podermos analisar o conceito do anti/proverbio, parece inevitável oferecer algumas definições do termo “proverbio”, o que nos permitira fazer a distinção o mais correcta e completa possível entre eles e para obtermos uma visão mais clara da relevância do antiprovérbio nos estudos contemporâneos de paremiologia. Na perspectiva de Maria Alice Moreira dos Santos (SANTOS: 2000, Dicionário…p..8), “os provérbios são a sabedoria de um povo. Dão-nos indicações para a vida, interrogam-nos, enriquecem as conversas, traduzem a nossa maneira de pensar, o que nos vai na alma: alegrias, tristezas, anseios, medos (…), falam de todas as idades, profissões, ricos e pobres, diferentes terras e culturas e ainda sobre as transformações da natureza.” Esta tentativa de definição é bastante explicativa, embora não englobe características formais, linguísticas, estilísticas, gramaticais de um provérbio. Concentrando-se mais nos seus temas, difusão geográfica e carácter sábio (quer como parte das conversas quotidianas, quer como ensinamentos transmitidos geracional e culturalmente), a autora provavelmente pretende salientar a inevitabilidade dos provérbios na linguagem e no pensamento humano, sendo implícita também uma determinada simpatia com que este fenómeno é abordado. Procurando dar uma abordagem mais científica do conceito, Adriana Baptista (idem, p. 9), qualifica o provérbio como “utensílio linguístico, capaz de caber em mil contextos que anda de boca em boca (…) um acto de polivalência linguística. O provérbio fixa uma forma particular de traduzir de traduzir verbalmente o modo como o homem ousou resolver as suas relações com o inexplicável, com o que o oprime ou amedronta”. Nesta definição já se pode notar um paralelismo entre o provérbio e o ato de fala, atribuindo-se-lhe funções polivalentes que dependem do contexto em que é proferido. Nesta perspectiva, o provérbio começa a ser observado e a ganhar importância também do ponto de vista da pragmática. Outro pormenor importante na abordagem do provérbio, estudado por esta investigadora, é a sua “forma particular”, isto é, aqui podem ser subentendidas as características formais, gramaticais, elementos de rima etc. A terceira dimensão introduzida por Baptista na definição do provérbio é a estreita relação do homem com o mundo que o rodeia, adquirindo um carácter psicológico, expresso pelos verbos “oprimir” e “amedrontar.” Porém, os provérbios não exprimem apenas os sentimentos humanos negativos, podendo ensinar valores como o amor, a amizade, o temor de Deus, o respeito pela família, a humildade, a felicidade. Por vezes, há provérbios que se contradizem aparentemente, mostrando apenas duas facetas do mesmo fenómeno. Desta forma, ( in: Parente, 2000, O Livro…) constam