5 DA LIBERDADE À SERVIDÃO: UMA ANÁLISE A PARTIR DE LA BOÉTIE Camilin Marcie de Poli 1 Etienne de LA BOÉTIE era um jovem pensador francês, que no século XVI, em pleno movimento renascentista ocorrido na Europa, escreveu o Discurso da Servidão Voluntária. No Discurso sobre a Servidão Voluntária, LA BOÉTIE 2 fala sobre liberdade, demonstra a sua importância e aponta as conseqüências sofridas por aqueles que abrem mão dela. Tal escrito é um hino a liberdade. O autor inicia seu trabalho criticando o discurso feito por Ulisses em Homero, ao afirmar que “muita gente a mandar não me parece bem; um só chefe, um só rei, é o que mais nos convém.” Para ele, não há maior infelicidade do que a sujeição a um chefe, pois, dificilmente se poderá confiar na bondade dele, tendo em vista que depende somente dele a escolha de ser mau quando achar conveniente. Nesse entendimento, LA BOÉTIE afirma que é difícil admitir que o governo de apenas um indivíduo se preocupe com a coisa pública, pois ter diversos súditos é ter vários outros motivos para ser cruel. Assevera que a obrigação de se curvar diante da força constitui a fragilidade humana, visto que, ao invés de obedecer, as pessoas se curvam, ao invés de serem governadas, são tiranizadas, espoliadas de seus bens e de sua própria vida. Para uma melhor visualização do argumentado, o autor traz o exemplo de uma batalha, onde de um lado encontram-se pessoas livres que lutam pela liberdade, e de outro aqueles que tentam suprimir destes a liberdade, tão somente pela servidão. 1 Paper referente a análise da obra “Discurso sobre a servidão voluntária” de Etienne de La Boétie, para o VI Encontro Treze Luas, do Núcleo de Direito e Psicanálise e Programa de Pós-Graduação em Direito da UFPR. Elaborado por Camilin Marcie de Poli, advogada, bacharel em Direito pela Faculdades Integradas do Brasil - UNIBRASIL e licenciada em História pelo Centro Universitário Campos de Andrade – UNIANDRADE. 2 LA BOÉTIE, Etienne de. Discurso da servidão voluntária. Trad. Laymert Garcia dos Santos. 2 ed. Brasiliense, 1982.