DO SIPAM AO SISFRON: A QUESTÃO DA SEGURANÇA DA FAIXA DE FRONTEIRA NA DOUTRINA MILITAR BRASILEIRA Miguel Dhenin 1. Introdução “Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la” Gen. Rodrigo Octávio Jordao Ramos O presente artigo tem como objetivo apresentar de maneira concisa a questão da segurança na faixa de fronteira e da implementação de sistemas complexos capazes de auxiliar as forças armadas. Para realizar tal esforço, optamos por dividir o trabalho em três partes. A primeira parte trata da importância estratégica do monitoramento do território para os militares. Abordamos a questão da geografia política das fronteiras, o estabelecimento do conceito da faixa de fronteira no Brasil e finalmente os problemas encontrados pelos militares na região no exercício de suas funções. A segunda parte centraliza-se nas preocupações políticas que incentivaram o desenvolvimento de um sistema complexo de monitoramento do território nacional: o Sivam/Sipam. Tratamos da gênese do projeto e de suas dificuldades e controvérsias, do desempenho do Ministério da defesa (MD) na sua elaboração e finalmente a inauguração em 2002, como Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam). Finalmente, a terceira e última parte aborda a questão da continuidade do trabalho de monitoramento, desenvolvido a partir de uma plataforma de tecnologia nacional, o Sisfron. Apresentamos o conteúdo do projeto, como ele pretende ser desenvolvido e qual é sua função na proteção da faixa de fronteira. Por fim, apontamos alguns limites do olhar militar na região. O autor agradece o Prof. Dr. Durbens Martins Nascimento, coordenador do Observatório de Estudos de Defesa da Amazônia (OBED) da Universidade Federal do Pará, pela oportunidade oferecida de apresentar este paper no I Seminário