A VISITA DE FERMI AO BRASIL SEGUNDO OS JORNAIS BRASILEIROS DA ÉPOCA Francisco Caruso 1,2,3 & Adílio Jorge Marques 4 1 Centro Brasileiro de Pesquisas Física. E-mail: francisco.caruso@gmail.com 2 Instituto de Física da Universidade do Estado do Rio de Janeiro 3 HCTE da Universidade Federal do Rio de Janeiro 4 Instituto do Noroeste Fluminense de Educação Superior, Universidade Federal Fluminense. E-mail: adiliojm@yahoo.com.br Palavras-chave: Enrico Fermi; Brasil; jornais brasileiros. Introdução Enrico Fermi (1901-1954) foi um dos maiores físicos do século passado [FERMI, 1962; BERNARDINI & BONOLIS, 2004; BASSALO & CARUSO, 2013]. Recebeu o Prêmio Nobel de Física, em 1938, pela identificação de novos elementos radioativos [FERMI, 1934] que se relaciona à descoberta das reações nucleares em nêutrons lentos, com a qual percebeu que prótons e nêutrons são estados quânticos de uma mesma partícula. Além dessa importante contribuição, havia descoberto, em 1926, uma nova estatística quântica [FERMI, 1926] para descrever um gás de partículas com spin semi-inteiro, sujeitas ao princípio de exclusão de Pauli, hoje conhecida como Estatística de Fermi-Dirac [POINTON, 1967]. Mais precisamente em 1934, ano em que fez uma série de palestras na Argentina e no Brasil, Fermi desenvolveu sua famosa teoria do decaimento beta [FERMI, 1934a,b], que havia começado a esboçar no ano anterior [FERMI, 1933]. Além de seu impressionante legado científico, o Físico italiano também se preocupava em divulgar a ciência que fazia [FERMI, 2009] e teve um papel decisivo no desenvolvimento da Física no Brasil, embora indireto. De fato, esse papel poderia ter sido infinitamente maior caso ele tivesse aceitado o convite que lhe foi feito, em 1934, para vir trabalhar no Brasil, pelo matemático e político brasileiro Theodoro Augusto Ramos (1895-1937). Este havia sido comissionado pelo então governador de São Paulo, Armando de Salles Oliveira (1887-1945), para chefiar a comitiva