1 Agricultura e Máquinas Agrícolas I Instituto Superior de Agronomia Departamento de Produção Agrícola e Animal Secção de Agricultura Agricultura e Máquinas Agrícolas I Apontamentos de estudo n.º 3 Janeiro de 1996 Prof. Pedro Aguiar Pinto 3. AS OPERAÇÕES AGRÍCOLAS A outra perspectiva de consideração da exploração agrícola, complementar com a que olha para a sua organização, é a que incide sobre o exercício ou funcionamento das suas componen- tes, ou seja, a que incide sobre as operações agrícolas. O processo de produção agrícola é uma sucessão de decisões sobre o modo de funcionamento dos diferentes órgãos ou constituintes da exxploração. São as decisões operacionais, que têm características eminentemente dinâmicas. Para que a sequência de decisões tenha lógica e portanto, consiga assegu- rar o bom funcionamento da estrutura, é necessário que as operações sejam planeadas, isto é, que os objectivos sejam sequencialmente ordenados no tempo e que os meios necessá- rios sejam previstos e estejam disponíveis para serem utilizados quando a operação se realize (Azevedo et al., 1972). As relações entre estrutura e funcionamento são biunívocas. A estrutura da empresa agrícola condiciona o funcionamento das suas componentes, ou seja, condiciona as operações e inver- samente, de modo a melhorar a eficiência de funcionamento, é, muitas vezes necessário proceder a alterações estruturais. O funcionamento da empresa agrícola, o processo de produção agrícola, reúne factores (terra, plantas e animais, trabalho, capital e factores externos de produção) para obter as produ- ções que são o seu objectivo. A combinação ordenada e sequencial destes factores constitui uma sequência de opera- ções que se torna necessária para conseguir atingir os objecti- vos de determinada actividade produtiva. A técnica de produção resulta da solução encontrada pelo engenho do homem para solucionar o problema da obtenção de um produto agrícola, através da combinação de factores e da sequência de opera- ções mais adequadas. Ainda hoje, muitas das estruturas agrá- rias existentes nasceram "num meio técnico onde a energia era representada pelo braço humano e pelo animal de tracção, a ferramenta pelo arado, charrua, foice, nora e engenho, a técnica pela velha rotina empiricamente elaborada" (Caldas, 1960). O progresso técnico da segunda metade do século tem dificuldade em instalar-se neste tipo de ambiente, porque se a estrutura se estava perfeitamente adaptada às técnicas de produção que recorriam à força do homem ou dos animais, já se adaptam pior a técnicas de produção mecanizadas. 3.1. O factor trabalho As operações agrícolas incluem sempre trabalho humano na movimentação de materiais, plantas e animais. Incluem tam- bém o equipamento utilizado (tractores, máquinas agrícolas, ferramentas, construções, vedações, canais de irrigação, etc.) nelas utilizado ou que as condiciona. A importância do trabalho humano, porque afecta a qualidade de vida dos que o praticam, tem sido o factor determinante na evolução verificada na execução das operações agrícolas. O trabalho humano necessário à execução de uma tarefa em particular, depende do equipamento disponível e do modo como é utilizado. A história da evolução das sociedades humanas está intima- mente associada à história das suas agriculturas que, por sua vez, foram determinadas pela evolução das técnicas empregues na execução das tarefas (operações) agrícolas. 3.1.1. História O fabrico e uso de ferramentas manuais terá sido iniciado quando o Homem limpou e semeou, pela primeira vez, uma área de terreno ou eventualmente antes, quando cortou forragem para armazenar para os animais que já domesticara. Cerca de 4000 A.C., foram fabricados instrumentos rudimentares de pe- dra lascada, osso e chifres de animais, de modo a constituírem uma lâmina afiada num suporte em forma de foice. O uso de enxadas e outros instrumentos de cava conduziram ao emprego de animais de tracção com arados primitivos antes de 3000 A.C. na Mesopotâmia. O uso da tracção animal na elevação de água só foi tornado possível, com eficiência depois da invenção árabe da nora. No início da revolução industrial, em Inglaterra (1750- 1840) os utensílios para melhorar a tracção animal foram subs- tancialmente melhorados. Os animais de tracção (nomeada- mente, cavalos) foram melhorados, com o intuito de conseguir melhores características para o trabalho. Os motores a vapor, inicialmente usados na bombagem de água, foram depois adap- tados à debulha de cereais. O desbravamento do Mid-West e das pradarias da América do Norte não teria sido tão rápido sem a invenção das grades de bicos de secção triangular, das ceifeiras-atadeiras e das ceifeiras debulhadoras de tracção animal. 3.1.2. A mecanização agrícola A era actual de mecanização agrícola começou nos anos 1890, quando, nos EUA, se começou a usar o motor de combustão interna em trabalho de campo. As duas grandes guerras e a rarefacção de mão-de-obra masculina contribuiram decisivamente para grandes saltos qua- litativos na evolução e generalização da mecanização agrícola, não só pela necessidade de substituir a força de trabalho dos homens mobilizados, como também para responder a exigênci- as acrescidas de uma maior intensificação cultural. O desenho dos tractores foi muito melhorado e a actual gama de tractores, adaptada a inúmeras circunstâncias de uso, é muito grande. As máquinas agrícolas foram desenhadas para se ajustarem aos tractores de modo a executarem uma gama ainda maior de tarefas. O engate de três pontos e o sistema de elevação hidráulico popularizou-se a partir dos anos 50. As ceifeiras-debulhadoras automotrizes têm hoje muito maior ca- pacidade e fiabilidade. Foram também desenvolvidas colhedoras automotrizes para uma variedade de culturas diferenciadas: (batata, algodão, beteraba, tomate,etc.). Conseguiram-se tam- bém, inúmeros melhoramentos nas construções rurais, especi- almente nas modernas salas de ordenha mecânica, pocilgas e aviários. O uso de motores eléctricos permitiu que uma grande série de operações (mungição, moagem e mistura de rações, etc.) se façam hoje, com muito maior rapidez. Nos sistemas culturais actuais, todos estes desenvolvimentos