1 O ATENDIMENTO À FAMÍLIA E A INTERDISCIPLINARIDADE SIDNEY SHINE Agradeço o convite para compor esta mesa que me foi feita pela Profª CRISTINA MOREIRA FONSECA representando a UNIB. As circunstâncias deste convite foram interessantes. Eu sou colaborador da Profª BELINDA MANDELBAUM da PSICOLOGIA-USP na disciplina optativa de 5º ano “ Família: abordagens psicossociais e psicanalíticas ”. Eu havia comentado com ela que estava sendo contratado pela UNIB para as aulas de Psicologia Jurídica e, logo depois, surgiu o convite para falar sobre “família”. Esta coincidência me inspirou a juntar nesta fala o tema família à questão da interdisciplinaridade . Quero defender a idéia de que trabalhar com famílias já impõe uma atitude interdisciplinar ao psicólogo. Daí, quero ampliar esta idéia e contar um pouco o meu trajeto profissional pelo qual juntei o trabalho com famílias e a Psicologia Jurídica e o que a interdisciplinaridade tem a ver com tudo isso. Primeiramente, deixem me explicar o que estou chamando de interdisciplinaridade, uma vez que o termo “família” é, à primeira vista, algo evidente. Tomo este termo na acepção utilizada por Japiassu (1976). Este autor considera “disciplina” como sinônimo de “ciência”, compreendendo “a exploração científica especializada de determinado domínio homogêneo de estudo, isto é, o conjunto sistemático e organizado de conhecimentos que apresentam características próprias nos planos do ensino, da formação, dos métodos e das matérias; esta exploração consiste em fazer surgir novos conhecimentos que se substituem aos antigos” (JAPIASSU, 1976, p. 72). Portanto, segundo Japiassu ( apud Fazenda, 1994, p. 74): “... a interdisciplinaridade se caracteriza pela intensidade das trocas entre os especialistas e pelo grau de integração real das disciplinas, no interior de um projeto específico de pesquisa”. É neste sentido que assumo a posição de que se propor a conhecer e