Revista Índice [http://www.revistaindice.com.br], vol. 02, n. 02, 2010/ 2 ISSN 2175-6244 58 Lei natural e seus desdobramentos no Dialogus inter philosophum, judaeum et christianum, de Pedro Abelardo Pedro Rodolfo Fernandes da Silva UFAM RESUMO: Pedro Abelardo (1079-1142), um dos maiores nomes da lógica medieval, dedicou, porém, a última parte de sua vida à discussão ética. Desse período resultaram duas obras – a Ethica ou Scito te ipsum e o Dialogus inter philosophum, judaeum et christianum ou Collationes - através das quais inovou a ética medieval. No que se refere a obra aqui tomada para análise, o Dialogus, a afirmação de que o amor a Deus e ao próximo, fundamento de toda ética, prescinde das leis reveladas porque é uma lei natural que se constitui em princípio para a tolerância e para a salvação da alma. PALAVRAS-CHAVE: ética, lei natural, tolerância. ABSTRACT: Peter Abelard (1079-1142), one of the greatest names of medieval logic, dedicated, however, the last part of his life the ethical discussion. This period resulted in two works - the Ethica or Scito te ipsum and Dialogus inter philosophum, judaeum et christianum or Collationes - through which he innovated the medieval ethics. In what it refers to the work here taken for analysis, the Dialogus, the assertion that love God and neighbor, basis of all ethics, abstracts of the disclosure laws because it is a natural law that constitutes in principle for tolerance and for the salvation of the soul. KEYWORDS: ethics, natural law, tolerance. Introdução A discussão ética, presente na filosofia desde suas origens, encontra em Pedro Abelardo (1079-1142) uma apreciação que, se não original, certamente peculiar e relevante. Vale ressaltar que Abelardo não conheceu a obra ética de Aristóteles, o que equivale dizer que discute os problemas éticos na perspectiva da tradição estóica e agostiniana 1 . 1 Sobre as fontes éticas de Abelardo, cf.: GANDILLAC, Œuvres Choisies d’Abélard, 1945, p. 60; GILSON, Philosophie Médiévale et Humanisme, 1938, p. 233; MANN, Ethics, 2004, p. 282.