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ATAS DO CONGRESSO INTERNACIONAL SABER TROPICAL EM MOÇAMBIQUE: HISTÓRIA, MEMÓRIA E CIÊNCIA
IICT – JBT/Jardim Botânico Tropical. Lisboa, 24-26 outubro de 2012
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ISBN 978-989-742-006-1
©Instituto de Investigação Científica Tropical, Lisboa, 2013
OS PROJECTOS EXECUTADOS PELO ARQUITECTO LUÍS POSSOLO PARA A PROVÍNCIA
ULTRAMARINA PORTUGUESA DE MOÇAMBIQUE
JOSÉ LUÍS POSSOLO DE SALDANHA
Departamento de Arquitectura e Urbanismo. ISCTE-IUL.
Centro de Investigação Dinâmia-CET.
jose.saldanha@iscte.pt
Resumo
A presente comunicação pretende abordar os projetos realizados por Luís Gonzaga Pimentel Pedroso Possolo (Lisboa, 7
de Julho de 1924 - 20 de Abril de 1999) para Moçambique, antes da independência desta nação Africana, quer no
exercício particular, em regime de profissão liberal, quer no exercício da função pública, ao serviço do Gabinete de
Urbanização do Ultramar (GUU) sedeado em Lisboa.
Na qualidade de arquiteto do GUU e bolseiro do Estado Português, frequentou o curso de especialização em Arquitetura
Tropical na «Architecutural Association» de Londres, na respetiva edição inaugural de 1954/55. Findo o curso, foi
reincorporado no GUU, onde colaborou em diversos projetos de que foi autor, ou co-autor, para Guiné-Bissau, Cabo
Verde, Angola, São Tomé & Príncipe, Pangim (Goa) e Moçambique, tendo projetado para esta última:
• O mercado para Quelimane, executado e ainda em uso;
• Uma proposta para a nova Igreja Paroquial, juntamente com uma Residência Paroquial anexa, a localizar na
Polana, Maputo (então Lourenço Marques). Nenhuma das duas foi construída, sendo a Igreja hoje existente na
Polana, realizada de acordo com projeto totalmente diverso, da autoria do arquiteto Nuno Craveiro Lopes.
• Um projeto para uma «Estação Rádio-Naval», consistindo de um agrupamento de edifícios isolados, que foram
executados em Maputo e Luanda – cada qual implantado de acordo com as características locais.
Estes projetos foram levantados no âmbito do Projeto de Investigação denominado «Os Gabinetes Coloniais de
Urbanização. Cultura e Prática Arquitetónica», patrocinado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (Refª
PTDC/AURAQI/104964/2008) que tem por parceiros o Arquivo Histórico Ultramarino (AHU), o Instituto da Habitação e da
Reabilitação Urbana (IHRU) e o ISCTE-IUL, em cujo âmbito o autor da presente comunicação foi responsável direto pelo
tratamento do material relativo a Luís Possolo, localizado no AHU e noutras reservas documentais, tendo do mesmo já
resultado:
• uma monografia denominada «Luís Possolo. Um Arquiteto do Gabinete de Urbanização do Ultramar», editada
pelo Centro de Investigação em Arquitetura e Áreas Metropolitanas (CIAAM);
• uma exposição homónima (aberta ao público entre 21 de Março e 13 de Abril de 2012);
• um conjunto de conferências no ISCTE-IUL (21 e 22 de Março de 2012);
• uma sessão pública de visionamento de diapositivos relativos a Moçambique, datados de meados dos anos '60,
da autoria de Luís Possolo, e comentada pelo Arquiteto Pancho Guedes, que decorreu no Forte de Sacavém
(SIPA/IHRU) a 16 de Março de 2011, sob o nome «As Áfricas de Possolo».
No começo de 1961, Luís Possolo transitou, na Função Pública, para a Agência Geral do Ultramar, mas a sua breve –
embora auspiciosa – carreira no GUU, aliada ao curso feito na AA, irá oferecer ao jovem arquiteto a oportunidade de se
associar, como projetista em regime liberal, a um par de assinaláveis investimentos portugueses nos territórios
ultramarinos: a barragem de Cambambe, no Rio Cuanza (Angola) e a Fábrica de Cimentos de Nacala – obra
arquitetónica notável, que irá ser igualmente abordada na presente comunicação.
Palavras-chave: Arquitectura tropical, arquitectura em Moçambique, arquitectura Moderna, Arquitecto Luís Possolo
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