Acta Scientiae Veterinariae 34(Suplemento 1): 2006 s1 BASES FISIOLÓGICAS, FARMACOLÓGICAS E ENDÓCRINAS DOS TRATAMENTOS DE SINCRONIZAÇÃO DO CRESCIMENTO FOLICULAR E DA OVULAÇÃO Mario Binelli; Bruna Trentinaro Ibiapina; Rafael Siscôneto Bisinotto Departamento de Reprodução Animal, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo Resumo Os modernos protocolos utilizados para a inseminação artificial e transferência de embriões em tempo fixo foram desenvolvidos com base no conhecimento profundo do controle endócrino do ciclo estral bovino. Com tal conhecimento tornou-se possível o controle das fases do desenvolvimento folicular, recrutamento, seleção e ovulação, pela utilização estratégica de fármacos específicos. O controle farmacológico do ciclo estral facilita o manejo reprodutivo e aumenta a eficiência de operações pecuárias de produção de leite e carne. O objetivo do presente trabalho é prover o embasamento teórico necessário sobre o controle endócrino do funcionamento ovariano para que sua manipulação farmacológica possa ser efetuada de forma racional. Palavras-chave: Folículos, Esteróides, Gonadotrofinas, Ciclo estral, Bovinos, Revisão. Intr odução A característica mais marcante do processo reprodutivo é que este é cíclico. Tal característica pode ser exemplificada em vacas, que apresentam comportamento estral que se repete em média a cada 21 dias, sendo o período compreendido entre dois estros consecutivos denominado ciclo estral. A justificativa evolutiva da atividade cíclica é prover à fêmea oportunidades sucessivas de se tornar gestante e com isso perpetuar a espécie. A atividade cíclica depende de um complexo mecanismo, orquestrado pelo sistema nervoso central que, em instância final, controla o funcionamento do sistema reprodutivo. Tal controle é exercido pelas ações tecido-específicas de hormônios protéicos e esteróides, fatores de crescimento, citocinas e prostanóides. A biologia do ciclo estral bovino foi descrita exaustivamente em uma série de artigos científicos e livros texto específicos (Roche et al., 1998; Wiltbank et al., 2002; Senger, 2003; Martinez et al., 2004; Moore & Thatcher, 2006). O objetivo do presente trabalho é prover o embasamento teórico necessário sobre o controle endócrino do funcionamento ovariano para que sua manipulação farmacológica possa ser efetuada de forma racional. O contr ole endócrino do ciclo estral bovino Durante um ciclo estral, ocorrem normalmente duas ou três ondas de crescimento folicular consecutivas, sendo apenas a última onda ovulatória. O folículo ovulado passa por mudanças funcionais e estruturais para dar origem ao corpo lúteo (CL). O CL desenvolve-se rapidamente, secretando quantidades crescentes de progesterona (P 4 ). Por volta do dia 18, o processo de luteólise causa a regressão do CL e a conseqüente queda das concentrações plasmáticas de P 4 . Cada onda de crescimento folicular é caracterizada pelas fases de recrutamento, seleção e dominância. O folículo dominante (FD) de uma onda tem dois destinos possíveis. Na presença de P 4 o FD entra em regressão ou atresia. Após a luteólise, o FD escapa à atresia e ovula. Se não houver fertilização do ovócito ovulado, o ciclo se repetirá. Binelli M., Ibiapina B.T. & Bisinotto R.S. 2006. Bases fisiológicas, farmacológicas e endócrinas dos tratamentos de sincronização do crescimento folicular e da ovulação. Acta Scientiae Veterinariae. 34 (Supl 1): 1-7.