Saneas / abril 2004 – 27 Artigos Técnicos ARTIGOS TÉCNICOS Introdução A Indústria Cimenteira é um mercado com grande potencial para absorver o lodo produ- zido nas estações de tratamento de esgotos, com reais benefícios econômicos, inanceiros e ambientais, tanto para as empresas de sanea- mento básico, como para a indústria cimentei- ra e faz parte de uma visão sistêmica, de valori- zação de um modelo de desenvolvimento sus- tentável, considerados na política do Conselho Mundial de Negócios para o Desenvolvimento Sustentável - WBCSD O lodo desidratado (úmido) na indústria de cimento pode ser usado como redutor de emis- são atmosférica causado pelos óxidos de nitrogê- nio (NOx), formados durante o processo de com- bustão, um dos principais agentes precursores do “mau ozônio”, um gás poluente e tóxico aos se- res vivos. O principio básico é a reação química que ocorre devido ao ambiente óxido do forno em contato com amônia do lodo desidratado que atua como reagente de redução alterando a forma NOx para a forma de nitrogênio gasoso N 2 , que é um gás inerte, não poluente. Este processo de controle de poluentes pode ser obtido por inje- ção de amônia nos fornos, ou por uma injeção de lodos de esgotos (na forma úmida) que fornece a amônia necessária para a reação. Esta tecnologia de injeção de lodo úmido nos O potencial de utilização de lodo de tratamento de esgoto como redutor de poluentes atmosféricos na indústria cimenteira Iara Regina Soares Chao João Jayme Iess Engenheira Civil; mestranda em hidráulica e saneamento pela Universidade de São Paulo - USP com especialização em Engenharia de Controle de Poluição pela Faculdade de Saúde Pública da USP; Enge- nheira da Divisão de Operação Barueri da Unidade de Negócio de Tratamento de Esgotos da Diretoria de Produção da SABESP. Av. 1º de Maio s/n.º - Vila Nova Aldeinha – Barueri- CEP: 06440-230 - Brasil - Telefone: (11) 4133 -3455 – E- mail: ichao@sabesp.com.br Engenheiro Químico; com especialização em Processos e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – COPPE-UFRJ . Engenheiro Sênior da Diretoria Técnica da VOTORANTIM CIMENTOS Rodovia PR 092. 1303 Abranches -CEP 82.130-570, Curitiba PR - Brasil. Telefone (41)-355-1175, E- mail :joaoj@votoran.com.br RESUMO O presente trabalho surge de um estudo de pesquisa desenvolvido entre técnicos da SABESP – Companhia de Sanea- mento Básico do Estado de São Paulo em parceria com a VOTORANTIM CIMENTOS, para o enfrentamento do pro- blema da disposição adequada de lodos, oriundos das Estações de Tratamento de Esgotos (ETE), da SABESP, na Re- gião Metropolitana de São Paulo (cerca de 320 ton./dia), e a perspectiva de crescimento futuro destes volumes, o que implica em maior necessidade de implantação de aterros exclusivos, com custos de aquisição, operação e transporte. O co-processamento elimina a formação de passivos ambientais e pode representar redução de custos de destinação inal para a SABESP, e um signiicativo ganho ambiental para a sociedade do Estado de São Paulo. No co-processamento estes resíduos se transformam em recursos, pela reutilização dos mesmos como insumo adicionado ao clínquer, e consequen- temente recai na potencial redução de custos energéticos e de matéria prima para a indústria, e podem propiciar ainda redução de poluentes atmosféricos na fabricação de cimento portland. O princípio básico, é a reação química que ocorre, devido ao ambiente óxido do forno, em contato com a amônia do lodo alterando a forma NOx para a forma de nitrogênio gasoso N 2 , que é um gás inerte, não poluente. Os resultados dos testes podem agregar valor ao lodo de esgoto, transfor- mando-o da categoria de resíduo para matéria prima, sendo assim um estudo de muito interesse para ambos os lados. PALAVRAS-CHAVE: co-processamento, lodo de esgoto, remoção de NOx, fornos de cimenteiras, poluição atmosfé- rica, controle de poluição.