II Colóquio “Vertentes do Fantástico na Literatura”, 3 a 5 de maio de 2011. UNESP – Campus de São José do Rio Preto 599 CONSIDERAÇÕES ACERCA DO MARAVILHOSO LATINOAMERICANO A PARTIR DE CARPENTIER E DE LEZAMA LIMA Wanderlan da Silva Alves * RESUMO Considerando que Carpentier e Lezama Lima, ao refletirem sobre o maravilhoso na cultura laitno-americana, partem de um mesmo princípio – o de que traços de uma cultura aparecem reconfigurados em outras –, contudo, chegam a conclusões opostas: para Carpentier, o maravilhoso americano é uma manifestação, na América Latina, de uma série de formas de representação da cultura e da história existentes nas diversas sociedades humanas; para Lezama, a representação de uma realidade maravilhosa constitui, para a América Latina, um elemento estrutural que caracteriza e particulariza o ser americano; cotejaremos as duas visões acerca do maravilhoso latino-americano, buscando compreender o trajeto de cada um dos autores em sua formulação e o matiz político que cada uma porta: em Carpentier, a inserção das manifestações culturais latino-americanas no seio da cultura ocidental, por meio dos métodos de análise estruturais então vigentes; e em Lezama, o esforço por recuperar, no plano da cultura, elementos representacionais capazes de legitimar e dar visibilidade a uma identidade constitutiva do ser latino-americano. PALAVRAS-CHAVE: Alejo Carpentier; Cultura latino-americana; Ensaio latino- americano; José Lezama Lima; Maravilhoso latino-americano. “Mas o que é a História da América senão toda uma crônica da realidade maravilhosa?” (CARPENTIER, 1985) “Somente o difícil é estimulante; somente a resistência que nos desafia é capaz de assestar, suscitar e manter nossa potência de conhecimento, mas, na realidade, o que é o difícil? [...] É a forma em devir em que uma paisagem vai em direção a um sentido, uma interpretação ou uma simples hermenêutica, para ir depois em busca da sua reconstrução, que é o que marca definitivamente sua eficácia ou desuso, sua força ordenadora ou seu apagado eco, que é a sua visão histórica” (LEZAMA LIMA, 1988, p. 47). * Mestre em Letras (Teoria da Literatura) pela UNESP/IBILCE. Atualmente cursa doutorado em Letras na mesma instituição. Bolsista do CNPq.