UM RECURSO PARA LEGITIMAR: A MEMÓRIA DO MOVIMENTO REPUBLICANO NORTE-RIO-GRANDENSE CONTADA SOB UM ARQUÉTIPO CRISTÃO NAS OBRAS DE LYRA, POMBO E CASCUDO Jônatas Ferreira de Lima 1 Adalberto Marinho da Silva Júnior 2 A conservação de um suposto passado é uma forma de produzir lembranças e esquecimentos. [...] Elementos vivos por uma concepção de tempo. Brinca-se com o tempo. Transforma-se com o invisível. Recria-se o passado. Reinventa-se a memória. Apagam-se os erros 3 . O censo do IBGE do ano 2010 constou que em Natal 67,36% de sua população se manifestou como cristã católica apostólica romana. 4 Se unirmos esses números aos cristãos evangélicos (todas as suas denominações) temos um total de quase 90% de cristãos vivendo na capital do Estado do Rio Grande do Norte. No mesmo censo, observemos que apenas 7,89% afirmaram não devotar-se a nenhuma religião. Os dados mostram que a cidade de Natal é predominantemente cristã. Na fala diária de sua população é possível observar os elementos dessa fé cristã. No âmbito popular, vemos como cristianismo e futebol são os principais assuntos conversados nas esquinas da cidade. Ultimamente, a “política” tem aparecido como outra opção de assunto nessas ditas conversas, mas ainda prevalecem os mencionados anteriormente. Para chamar a atenção dessa grande comunidade, o linguajar cristianizado seria o mais indicado. E o que seria um linguajar cristianizado? Desde a ascensão do cristianismo, no mundo ocidental, os líderes das grandes sociedades medievais, modernas e contemporâneas têm incrementado o “falar cristão” em seus “discursos inflamados”, na divulgação de sua própria imagem social, dentre outros usos. Os valores 1 Graduado em História (Licenciatura e Bacharelado) pela UFRN. 2 Graduado em História (Licenciatura) pela UFRN. 3 Retirado do texto: LAMEIRÃO, Marcelo; SILVA, Paulo. História, memória e patrimônio: paradigmas da contemporaneidade. In: Identidades: XIII Encontro de História Anpuh-Rio, p. 03, 2008. 4 IBGE/BR. Censo de 2010: religião em Natal. Disponível em: <http://cod.ibge.gov.br/2HK60>. Acesso em: 7 abr. 2014.